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Para não ignorar o sarampo

Reportagem: Cinthya Leite Fonte: Jornal do Commercio

Em meio à emergência sanitária internacional do coronavírus e a elevação do nível da resposta brasileira para Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, recomendou que os Estados não esqueçam os demais problemas que o Brasil tem enfrentado. Entre eles, o sarampo e a gripe. O alerta foi feito ontem, em Brasília, durante reunião com os secretários de Saúde dos Estados e capitais de todo o País. “Temos outros desafios simultâneos. É o caso do sarampo. Precisamos evitar a cocirculação de vírus (vários atuando ao mesmo tempo)”, disse Mandetta, que reforçou a importância da imunização. No Brasil, estima-se que cerca de 3 milhões de pessoas (de 5 a 19 anos) não estejam vacinadas contra o sarampo. Dessas, 70.938 estão em Pernambuco. A meta, segundo o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Wanderson Kleber de Oliveira, é interromper a cadeia de transmissão do sarampo até julho de 2020. “Para isso, faremos campanha indiscriminada, vacinando todos com dose de reforço, especialmente adultos jovens”, informou, durante a reunião de ontem, sem anunciar o período em que a mobilização geral vai acontecer. Mas a partir da próxima segunda-feira (10), será iniciada nova campanha, que vai até 13 de março. O público-alvo dessa ação é a faixa etária de 5 anos a 19 anos de idade, com dia D de mobilização nacional no dia 15 deste mês. O objetivo da campanha é resgatar pessoas ainda não vacinadas ou com esquema de vacinação incompleto para o sarampo. A segunda fase é voltada a adultos de 30 a 59 anos de idade e será realizada de 3 a 31 de agosto, com dia D em 22 de agosto. O Estado de Pernambuco, de acordo com o balanço apresentado pelo Ministério da Saúde, é um dos 9 Estados brasileiros que têm casos confirmados de sarampo este ano. Já foram registrados 46 casos suspeitos de da doença, dos quais três (6,5%) foram confirmados, 16 (34,8%) descartados e 27 (58,7%) em investigação. Os pacientes são moradores de municípios do Grande Recife: Paulista (2) e Olinda (1). Os dois casos de Paulista são de gêmeas de apenas 1 ano de idade. Elas não têm histórico de vacinação com tríplice viral (protege contra sarampo, caxumba e rubéola), apesar de a dose zero ter começado a ser ofertada, no ano passado, a bebês a partir dos 6 meses. Ambas estão bem, mas precisaram ser internadas. Já tiveram alta hospitalar. Já em Olinda, a paciente é uma mulher de 23 anos, representando o público-alvo que o governo pretende atingir com a campanha indiscriminada. “Não há outro caminho se não incentivar fortemente a vacinação. Precisamos fazer com que os adolescentes cheguem aos postos para se vacinar. No ano passado, o resultado da imunização dessa faixa etária foi frustrante no Brasil. Havia mais de 9 milhões de doses para a mobilização e, segundo o Ministério da Saúde, não se atingiu sequer um terço desse público-alvo”, disse o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, que participou ontem da reunião em Brasília. O sarampo continua a ser uma das principais causas de morte entre crianças pequenas em todo o mundo, apesar de haver uma vacina segura e eficaz disponível. Aproximadamente 110 mil pessoas morreram por sarampo em 2017 – a maioria crianças com menos de 5 anos. Em Pernambuco, apenas no ano passado, foram confirmados 315 casos da doença e outros 240 ainda permanecem em investigação. A cobertura vacinal da tríplice viral, no Estado, é de 95,6% na primeira dose e de 77,2% na segunda. O ideal é que ambas as taxas estejam com, no mínimo, 95% para garantir proteção adequada. 760 mil doses, em média, de tríplice viral foram aplicadas, no ano passado, em todo o Estado de Pernambuco 290 mil, das doses aplicadas no Estado, foram para bebês de até 1 ano, segundo a Secretaria de Saúde de Pernambuco 2 doses de tríplice viral são indicadas de 1 a 29 anos. Entre 30 e 49 anos, só uma aplicação. A dose zero é de 6 a 11 meses ‘O Brasil já teve o controle do sarampo. Perdemos porque fraquejamos no processo de procura pela vacina”, disse André Longo ‘Estamos em fase de preparação para eventual chegada do coronavírus. Mas não podemos esquecer as demais doenças”, frisou Jailson Correia.

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