COVID-19 | Fonte: Jornal do Commercio

Nova rotação pós-pandemia

Fonte: Jornal do Commercio

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco.

Abrir mão de hábitos, revê-los e buscar novos. Essa será a regra mundial quando a pandemia do coronavírus passar ou o mundo cansar de esperar por ela e determinar o fim do isolamento pessoal. A retomada das cidades no pós-pandemia será um divisor de águas para a mobilidade urbana. Se a sociedade voltar ainda mais individualista e, como diz a foto que ilustra essa reportagem – metida nos carros novamente -, tudo terá sido em vão. As cidades estarão perdidas. Já não dava certo antes do coronavírus e todos percebiam isso. Agora, será ainda pior. Isso porque não temos a estrutura ideal para o transporte ativo – especialmente a micromobilidade (bicicleta e patins elétricos, por exemplo) – e o transporte público, que já sofria com perdas, será ainda mais evitado por muitos.

Por isso, as cidades precisam de uma nova rotação. E o poder público tem papel fundamental nessa discussão porque uma nova mobilidade só é possível por determinação da figura do Estado (governos estadual e municipal). Seja pela construção e viabilização de infraestrutura para estimular novos hábitos de mobilidade – ciclofaixas móveis e permanentes, e faixas exclusivas de ônibus, por exemplo – ou pela imposição de uma nova rotação das cidades para distribuir melhor a demanda de passageiros dos ônibus e metrô ao longo do dia.

Goiânia, capital de Goiás, por exemplo, usou uma estratégia nessa linha para enfrentar a pandemia. A prefeitura decretou o escalonamento de horários de trabalho para evitar aglomeração de passageiros no transporte coletivo, em terminais e pontos. Desde a quarta-feira (20/5), os novos horários passaram a fazer parte da rotina de funcionamento do comércio, indústria e serviços essenciais de Goiânia. A determinação vale para aqueles que têm permissão para funcionar de acordo com o Decreto Estadual 9653, de 19/04/2020, mas é um modelo que poderia ser ampliado e efetivado no pós-pandemia.

São doze faixas de horários. A abertura começa às 6h e segue até às 11h30, como é o caso dos consultórios médicos, por exemplo. Os agentes do município têm autonomia para notificar, multar ou interditar estabelecimentos conforme as regras da Vigilância Sanitária. As multas começam em R$ 4,8 mil. O fechamento dos estabelecimentos é flexibilizado. Pelas informações oficiais da Prefeitura de Goiânia, o escalonamento foi discutido com entidades governamentais e classistas, entre elas a Fecomércio.

Razões não faltam para reproduzirmos soluções semelhantes pelo País. Antes da pandemia as cidades já estavam em colapso. Refletiam o resultado da mobilidade urbana convencional. E, apesar dos danos, seguiam privilegiando o automóvel, menosprezando o transporte coletivo e a micromobilidade. Mas já havia uma parcela da sociedade ansiosa por mudanças dessa lógica. Talvez essa parcela aumente no pós-pandemia. Afinal, muita gente não queira mais voltar à rotina dos constantes congestionamentos.

A mudança é urgente e necessária. Nas grandes cidades e regiões metropolitanas brasileiras, entre elas a do Recife, mais de 70% da população fazem as mesmas coisas nos mesmos horários, todos os dias. Vão e voltam juntos do trabalho e da escola, por exemplo. E nesse ciclo vicioso, seguíamos perdendo 733 horas por ano presos no trânsito travado de nossas cidades. Se não mudarmos no pós-pandemia, veremos esses números duplicarem. Fica o alerta.

A retomada da rotina diária em imagens pelo Brasil e pelo mundo

Muitos países já adotaram medidas durante a pandemia e anunciaram mudanças e destinação de recursos para estimular a mobilidade ativa quando o isolamento social for aliviado. A bicicleta, como sempre, é a promessa da vez. Os patinetes vão de carona.

Barreiras de plástico serão comuns em diferentes tipos de serviço. Na foto, uma fábrica de automóveis na França instalou a proteção para manter o distanciamento social e isolar os trabalhadores. E, mais uma vez, o isolamento no metrô.

Muitos países já têm adotado o distanciamento forçado até no interior do ônibus, como é o caso de cidades dos EUA. Assentos têm sido isolados para impor respeito.

Cortinas e bloqueadores de plástico e de acrílico já são comuns nos ônibus e serão ainda mais no pós-pandemia. Cidades como Aracaju (SE) e Salvador (BA) adotaram.

Isolamento de assentos tem sido comum também no interior dos vagões de metrôs das cidades que já estão voltando à rotina. Será tendência.

O distanciamento nas filas de embarque dos sistemas de trens, por exemplo, será algo obrigatório. Em Paris, marcadores nas plataformas mantêm os passageiros a dois metros de distância.

72,23% das pessoas da Região Metropolitana do Recife iniciavam a jornada de trabalho entre 7h e 9h

68,17% dos moradores do Grande Recife saíam do trabalho entre 17h e 20h

773 horas era gastas por ano no trânsito brasileiro antes da pandemia

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