O curador

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Esses fatos se passaram na mais escura Idade Média, em um período de três anos, medo e conspiração.

Estando fechadas como igrejas com medo da peste e das autoridades, os cristãos em suas casas e choupanas padeciam de grave enfermidade. Pais, mães, filhos e avós que tentam se locomover, mal conseguem se locomover, e a escuridão pouco consola alcançada. A Ordem dos Hospitaleiros ainda transporta alguns que foram encontrados nas ruas. Um desespero silencioso tomou conta da cidade, que cercado e fortificado, e tendo o castelo e o senhorio protegido, pouco ou quase nada oferecido a seus cidadãos.

Contam alguns manuscritos, achados no mosteiro, que surgiram um personagem que vagava por ruelas e esquinas escuras, revirando os sintomas e cuidando de suas chagas. Vestia roupa cinzenta escura. Onde passava emanava uma luz de sua pessoa que transparece através de veste, luz misteriosa.

Ouvir os caídos, entrar nas casas, tocar com as mãos, que também estavam em chagas, e os curava. O mais impressionante era que não tinha medo de contatar, não obedecia às autoridades e não dispunha de uma capacidade futura de escutar como pessoas, que nem parecia deste mundo. Os manuscritos seguem contando o que foi chamado de O Curador.

A segurança das ruas era feita pela Ordem de São Lázaro, membros, todos os homens, apesar de vestidos com armas, não portavam armas. Em certa noite, quisemos prender o Curador e capturar se, pois eram superiores, mas ao olhar um rosto, uma espécie de compaixão penetrou no coração do soldado e ouviu que não tinha casa, nem cama, nem mesmo uma pedra para citar sua cabeça, e havia muitas pessoas que estavam sofrendo precisos de saúde e consolo, critérios que continuavam seu ofício, enquanto duravam a noite. Nenhum guarda mais o molestou.

Era tanto sofrimento e tanta dor, e tanta gente sem assistência, que muitas vezes ele já não dava conta, pois quando chegava já haviam morrido. Pessoas dizem que muitas vezes o viram vestindo os corpos e limpando as feridas, mesmo dos defuntos, com suas próprias mãos, para que não fossem enterrados em valas comuns, sem serem identificados. Era para que a humanidade não fosse enterrada também e desaparecesse. Outras vezes o encontraram chorando, em prece silenciosa. Muito estranho o Curador, mas não se abatia jamais. E assim passou todo tempo da Quaresma, da Páscoa e de Pentecostes. As igrejas fechadas, às vezes um sino emitia um lamento, um choro em algum lar, o som de uma lamparina como se luz se transformasse em melodia.

O povo desconfiava que ele fosse algum médico peregrino, ou um enfermeiro dedicado sem mais família, pois entrava no único hospital da cidade de maneira discreta, passava por entre os profissionais que ali estavam se debruçando sobre a moléstia, e saía sem ser notado, dizendo alguma orientação em sussurro aos ouvidos dos médicos.

As escrituras do mosteiro registram ainda, de maneira misteriosa, que muitas vezes uma senhora o seguia à distância, calada, contemplativa até. Muitas vezes apontava uma pessoa para ser curada ou uma casa para ele entrar, como se conhecesse aquelas famílias. Ele a atendia, sem emitir nenhuma palavra, bastava um olhar.

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