COVID - 19 | Fonte: Diario de Pernambuco

Brasil vira referência para vacina contra Covid-19…

Fonte: Diario de Pernambuco

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O Brasil não conseguiu conter a pandemia do coronavírus, mas paradoxalmente está bem posicionado no campo das vacinas, com testes em larga escala e a produção de milhões de doses à vista. Diferentemente da Europa, ou da China, o vírus ainda está em plena expansão por aqui, condição ideal para testar a eficácia de uma vacina, no segundo país mais afetado do mundo, depois dos Estados Unidos. Maior produtor mundial de vacinas contra febre amarela, o Brasil também é reconhecido por sua expertise no campo das vacinas, que produz em larga escala nos institutos públicos de referência.

É por isso que os responsáveis por dois dos projetos mais avançados, o da Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca, e o da chinesa Sinovac, realizarão em milhares de brasileiros os testes da fase 3, última etapa antes da homologação. Apenas três projetos em todo mundo chegaram a essa fase.

E o Brasil não sairá perdendo, com acordos de transferência de tecnologia que lhe permitirão, se os testes forem conclusivos, produzir essas mesmas vacinas para imunizar rapidamente sua população e até exportar doses para países vizinhos. “O Brasil é um bom território para desenvolver o estudo. Primeiro, por ter a decisão e a vontade de fazê-lo; segundo, pelas caraterísticas epidemiológicas da nossa população, a diversidade de epidemia no Brasil, porque é uma epidemia muito heterogênea”, explicou Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fiocruz, que produzirá a vacina elaborada pela Oxford.

“Quanto mais o individuo estiver exposto ao vírus, mais rápido se prova a eficácia”, aponta Sue Ann Costa Clemens, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), instituição responsável pelos testes deste projeto que englobará 5.000 brasileiros.

A fase 3 dos testes desta vacina começou no mês passado no Brasil, Reino Unido e África do Sul. “Espera-se que até o final deste ano essa vacina, caso seja eficaz, já esteja registrada no Reino Unido e sendo usada no Reino Unido. A partir de janeiro do ano que vem, começaria o registro nos outros países”, prevê a pesquisadora, enfatizando que a aprovação brasileira deverá ser mais fácil e rápida.

Ao mesmo tempo, o governo de São Paulo deve começar a testar a vacina chinesa Sinovac em 9.000 voluntários em 20 de julho. A parceria também prevê transferir tecnologia para “produção em larga escala” em caso de testes conclusivos. Com esses dois testes em larga escala em no território nacional, “aqui no Brasil, nesse momento, é depositada a esperança de boa parte do mundo”, explica Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, encarregado da produção das doses.  (AFP)


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