COVID - 19 | Fonte: Jornal do Commercio

Um milhão de mortos renova temor e alerta

Fonte: Jornal do Commercio

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco.

CORONAVÍRUS Oito meses após o primeiro caso de covid na China, o registro de um milhão de óbitos no mundo é mais um motivo para Pernambuco não relaxar nas medidas sanitárias Apesar de o cenário no Estado apontar tendência de queda no número de casos, não é hora de ignorar cuidados ‘Ainda há muitas incertezas (sobre a covid), o que reforça a necessidade de cuidados. Continuaremos monitorando a epidemia para que, se houver repique, possamos identificar ocorrências mais precocemente”, informa o secretário André Longo ‘Que a pandemia sirva para que possamos tirar lições das desigualdades de saúde do mundo inteiro, da organização de sistemas de vigilância, da necessidade de haver solidariedade entre os povos”, diz o secretário Jailson Correia ‘Infelizmente os números da pandemia parecem virar paisagem para parte da população. O contexto da covid-19 é diferente entre os países e, em alguns, as pessoas banalizam a doença”, frisa a médica sanitarista Bernadete Coelho ‘O pilar biológico da covid-19, apesar de grandes avanços em curto espaço de tempo, ainda aguarda vacina ou tratamento específico para combater o vírus”, destaca o epidemiologista Rafael Moreira, pesquisador da Fiocruz Pernambuco Em 11 de janeiro deste ano, quando se noticiou a primeira morte em decorrência de um misterioso vírus em circulação na cidade de Wuhan, na China, ninguém imaginava que estaríamos somando a esse caso mais de 1 milhão de óbitos, no mundo, em pouco mais de oito meses. De forma acelerada, a pandemia do novo coronavírus parou o planeta e causa problemas não limitados ao sistema de saúde, pois mergulham na economia e colocam em evidência a desigualdade social. Em meio à quarentena global vivida de forma inédita no início da pandemia, as estatísticas em tempo real espantavam os olhos das nações dia após dia. Mas as vidas perdidas para a covid-19 não são números; são histórias de dor e de saudade que jamais devem normalizar a tragédia de termos diariamente cidadãos vitimados pela epidemia. Infelizmente, passados cerca de 270 dias de desafios sanitários, os dados frios e as análises feitas diariamente começam a anestesiar a população e até a opinião pública. Se trouxermos esse cenário para mais perto de nós, percebemos no comportamento das pessoas o quanto boa parte delas vai se acostumando com divulgações de casos, óbitos, média móvel e platô. Com medidas de higiene deixadas de lado, associadas ao relaxamento no uso da máscara e do distanciamento social, pernambucanos parecem não se assustar com o volume de mais de 145 mil infecções e 8 mil óbitos causados pelo novo coronavírus. Ao invés de se habituar com as estatísticas, a população deveria recordá-las para se acostumar com a ideia de que será preciso conviver com atitudes conscientes por um bom tempo ainda. “A covid-19 impôs ao mundo a maior crise de saúde pública em um século. Em Pernambuco, a resposta do governo precisou ser proporcional e realizamos o maior esforço sanitário e de mobilização de insumos de nossa história. Mesmo assim, pela gravidade da doença, muitos infelizmente não sobreviveram. Lamentamos profundamente cada uma das 8.190 vítimas da covid-19 em nosso Estado e prestamos nossa solidariedade aos seus familiares”, diz o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo. Ele ressalta o quanto a conduta coletiva fará diferença ao longo do período em que ainda precisaremos estar vigilantes para evitar o adoecimento. “Neste momento, para a continuidade da queda dos indicadores que estamos observando em Pernambuco e, consequentemente, termos menos mortes e mais avanços em nosso plano de convivência, dependemos apenas das nossas próprias atitudes.” Para o secretário, apesar de as análises de cenário epidemiológico apontarem para uma tendência de queda, a sociedade não deve se sentir autorizada para negligenciar o comportamento em relação a aglomerações, ao uso de máscara e ao distanciamento social. “Temos observado cenários, em outros países, em que há recorrência de casos, de óbitos. Precisamos ter clareza de que há muitas incertezas sobre essa situação da pandemia. É preciso guardar cautela. Buscamos ser repetitivos em relação a esse padrão novo de comportamento e ter compromisso com ele”, frisou Longo, em entrevista coletiva, transmitida pela internet na última semana, quando foram anunciados novos avanços na retomada da economia no Estado. Para se viver essa flexibilização sem o efeito sanfona do isolamento e longe do risco de aparecimento de novas ondas, teremos que conviver educadamente com o vírus, até que ele vá se enfraquecendo gradualmente com a imunidade coletiva e a vacina ainda a ser aprovada. Para especialistas, a conscientização sobre a gravidade e os efeitos da covid-19 não deve ser amenizada porque, mesmo diante da tendência de queda dos casos, a população continua susceptível à infecção. Sobre a marca ultrapassada de 1 milhão de mortes por covid-19 no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que os óbitos pela doença podem dobrar e alcançar dois milhões, caso as medidas para evitar a propagação do vírus não sejam mantidas. “O aparente avanço no pilar estatístico pode reforçar a banalização da doença, levando à subestimação dos seus reais riscos ainda presentes. O que se observa é uma substituição da realidade da doença, que é uma crença que nos incomoda, por uma ficção que mais nos conforta, de que estamos seguros finalmente. Esperamos que essa demora pela vacina seja didática na mudança da consciência e da estrutura social vigente”, ressalta o epidemiologista Rafael Moreira, pesquisador da Fiocruz Pernambuco. O número de um milhão de mortos pela pandemia do novo coronavírus é muito maior que o de outros vírus recentes, como o H1N1, que levou oficialmente a 18,5 mil óbitos oficialmente, mas menor que o da terrível “gripe espanhola” do século passado (1918- 1919). Em três ondas, a doença provocou um total estimado de 50 milhões de mortes, de acordo com dados publicados no início dos anos 2000.

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