Opinião | Fonte: Jornal do Commercio

Crivo da Anvisa

Fonte: Jornal do Commercio

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco

As vacinas mais avançadas em desenvolvimento, com testes em voluntários no Brasil e em outros países, começam a exigir dos governos nacionais os preparativos legais e estruturais para liberação, produção e distribuição em massa. É a hora de a Anvisa cumprir seu papel, pondo o crivo científico na validação – ou não – das pesquisas realizadas nos últimos meses. Com a Covid-19 voltando a se espalhar pelo planeta em velocidade ameaçadora, fenômeno que principia também no território brasileiro, inclusive em Pernambuco e no Recife, o foco de esperança das populações se dirige às substâncias imunizantes que, se aprovadas, podem representar o esperado marco para impedir que as mortes e danos da pandemia continuem aumentando na escala em que se encontram. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária é o órgão federal habilitado para credenciar medicamentos e vacinas no Brasil. Por isso precisa estar alheio às futricas e contendas políticas. Em manifestação recente, pareceu estar jogando na posição errada quando o presidente da República celebrou a suspensão da vacina chinesa em desenvolvimento em São Paulo. Apesar de o presidente Jair Bolsonaro não ter se desculpado pelos impropérios cometidos nas redes sociais, o Ministério da Saúde vem dando sinais de que o mais importante não é a bandeira da vacina, e sim, sua eficácia e viabilidade para distribuição. Aliás, como em todo mundo, até porque se sabe a essa altura que nenhuma vacina isoladamente será capaz de dar conta de um país do tamanho do Brasil, dos Estados Unidos, do Canadá ou da própria China. As alternativas disponíveis devem ser cogitadas, para uma combinação logística e financeira que garanta a prevenção mais rápida e segura para as pessoas. A oportuna ação da Anvisa, noticiada ontem, de simplificação de procedimentos visando a agilização das aprovações das vacinas contra a Covid-19, é relevante contribuição do governo federal na direção correta da imunização que passe pelas etapas de comprovação antes de chegar aos organismos humanos. Que sirva de primeiro passo, elementar, para um plano nacional de vacinação – em um cenário de crescimento do número de casos após alguns meses de relativa estabilidade. O planejamento das próximas etapas é tão crucial quanto a própria liberação. De uma estratégia bem coordenada e articulada de distribuição dependerá o êxito da imunização em cada país – significando milhares de vidas que poderão ser salvas em função da organização de cada nação. A vacina não é panaceia, como vem frisando a OMS, nem cairá do céu. Precisamos de sintonia com a demanda urgente, com os requisitos para uma campanha de vacinação na pandemia e com os riscos do planejamento mal feito, ou omisso, num instante em que se exige, dos governantes, alta capacidade de compreensão do momento histórico e de disposição para se inserir nele. A Anvisa, reconhecidamente, está talhada para o compromisso com o bem coletivo.

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