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Clipping Saúde

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Publicada em: 13/10/2006 | Fonte: Jornal do Commercio | Adicionado por: Joane Ferreira

SERVIÇO MÉDICO

Recife-Saúde pode dividir despesas com os usuários

Além de assumir parte dos custos que estão fora do limite, o cliente deve passar a pagar o plano por uma tabela de preços fixos

INES ANDRADE

Um estudo contratado pela Prefeitura do Recife à empresa Singular Consultoria sugere como medidas para o equilíbrio financeiro do Saúde-Recife a adoção da co-participação em consultas médicas e exames complementares em âmbito ambulatorial. A Consultoria também recomenda a contratação de uma rede de atendimento com preços mais baixos, a criação de uma porta de entrada para consultas e a criação de uma central de regulação.

A co-participação é o pagamento que o usuário faz por um procedimento prestado além do limite permitido. A porta de entrada consiste na passagem do paciente por médicos que o acompanhem para encaminhá-lo a um especialista em caso de necessidade, antes que o próprio doente recorra diretamente ao especialista. A central de regulação avaliaria a importância do serviço solicitado, para liberá-lo ou não.

O mesmo estudo, obtido pelo JC, apresenta tabelas de preços que podem ser adotadas pelo plano de saúde dos servidores do Recife. A tabela mais completa cria preços fixos – em vez da atual alíquota de contribuição –, que variam de acordo com a faixa etária do usuário e do uso de enfermaria ou apartamento. O valor mais baixo, o correspondente a R$ 21,43, seria cobrado do usuário com até 18 anos e que ficasse na enfermaria. O mais elevado seria cobrado das pessoas com mais de 59 anos que optarem por apartamento (R$ 187,56).

Atualmente, os titulares do plano contribuem com uma alíquota de 3,5% sobre o salário. A média per capita é de R$ 21 mensais. “E o gasto per capita mensal é de R$ 40 a R$ 50”, acrescenta Cláudio Duarte, presidente da Autarquia Previdenciária e de Saúde do Recife. O estudo tem por objetivo manter o sistema, hoje deficitário, em equilíbrio. A despesa mensal média do plano é de R$ 1,1 milhão, quando a receita com as contribuições dos 21.134 beneficiários não chega a 35% desse valor. A Prefeitura cobre o restante.

A avaliação atuarial feita pela Singular Consultoria será discutida pelo conselho de saúde, formada por representantes da Prefeitura e dos servidores, no próximo dia 18. Cláudio Duarte ressalta que o estudo não é conclusivo e que outras pesquisas estão sendo realizadas pela administração municipal que podem resultar em redução de despesas sem necessariamente aumentar custos para os servidores.

A perspectiva é ter todas as respostas até dezembro deste ano. “Até dezembro, deveremos ter um modelo de gestão definido e com a avaliação de custo concluída, inclusive com o subsídio desse estudo atuarial”, declarou Duarte. Nesse período, a Prefeitura deverá decidir se a gestão do Saúde-Recife será direta, neste caso haveria contratação de uma nova rede de hospitais e clínicas credenciadas, ou se manteria a gestão por meio do Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado (Sassepe). Por meio da contratação direta, o município poderia negociar tabelas mais baratas com as prestadoras de serviços.

Duarte explica que a Prefeitura também está levantando o perfil de internação dos usuários do plano de saúde, uma vez que os gastos com esse item correspondem hoje a 40% das despesas do Saúde-Recife. “A partir desse estudo, podemos adotar medidas de prevenção e tratamento de doenças crônicas, inclusive de prevenção de eventos inusitados (como quedas)”. Também seria possível transferir usuários internados em UTIs para espécies de semi-UTIs.

Uma outra medida de redução das despesas seria a implantação de modelos preventivos. A Prefeitura inclusive já iniciou um cadastramento com as mulheres acima de 35 anos para passar a acompanhá-las como parte do programa de prevenção ao câncer de mama. São 4.089, de um total de 5.158 mulheres usuárias do plano de saúde, que participarão da prevenção. Evitando a doença, é possível economizar R$ 20 mil por ano por mulher salva.