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Festival se volta às tradições circenses

Espetáculos vão se concentrar no Marco Zero, com picadeiros espalhados pela cidade, a partir da próxima quinta-feira

Júlio Cavani
DA EQUIPE DO DIARIO

O mais rápido atirador de facas da história e o menor globo da morte do mundo estão entre as atrações que vão fazer algumas pessoas abrirem os olhos e outras fecharem durante o Festival de Circo do Brasil, que, apesar desses dois momentos de adrenalina, está procurando valorizar as tradições circenses na edição 2005. A programação, que começa na próxima quinta, está mais descentralizada em relação aos anos anteriores. Os espetáculos não acontecem mais na Fábrica Tacaruna e se concentram no Terminal Marítimo do Marco Zero e em uma lona armada em Casa Forte. Casa Amarela, Ibura, Morro da Conceição e o Parque 13 de Maio também recebem picadeiros.

Um dos principais convidados internacionais é norte-americano David, The Great Throwdini. Ele bateu recordes mundiais de arremesso de facas, conseguindo atirar 80 em um minuto. Também joga machados, sem nunca atingir a mulher que fica girando na roda à sua frente. No Recife, o paulista Dalmo Mariano, seu aprendiz, vai se apresentar antes do mestre. Espera-se um dueloentre os dois.

Outras atrações estrangeiras são a companhia italiana Giullari del Diavolo, cujos artistas usam máscaras e se inspiram nos mambembes medievais, o circo espanhol Gran Fele, que tem 50 anos de carreira e vem ao Recife com sua formação completa em um espetáculo que começa nas origens pré-históricas circenses, e o argentino Circo Xiclo. De São Paulo, chegam os grupos Zanni e La Mínima.

Com mulheres que viram dálmatas e sessões de força capilar (uma pessoa pendurada pelos cabelos), o Circus Empyre, do Ceará, é tão interessante quanto todos os outros, formado por artistas que já trabalharam com Beto Carreiro e com o Circo Garcia. Ele arma sua lona nas cidades do interior do Nordeste e construiu o menor globo da morte do mundo, com três motos circulando simultaneamente em alta velocidade dentro de uma esfera metálica com quatro metros de diâmetro. Nesse tipo de número, quanto menor é o espaço mais riscos correm os motoqueiros.

O Circo Nerino, do mestre Roger Avanzi, no ramo desde a década de 1930, será homenageado pelo evento com o lançamento de um livro e uma exposição de fotos, que inclui imagens feitas pelo fotógrafo francês Pierre Verger no Recife. O festival também vai abrir espaço para um seminário dedicado aos artistas circenses, promovido pela Funarte para se discutir a criação da câmara setorial de circo. A companhia Intrépida Trupe está na realização do festival deste ano, junto com a Luni Produções e a Cena Cultural. Lula Queiroga faz o show de abertura no Marco Zero, junto com a banda carioca Pedro Luís e a Parede.

Os ingressos, mais baratos em relação ao ano passado, custam R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia) para os espetáculos apresentados no Terminal Marítimo e na lona de Casa Forte, armada em frente ao Plaza Shopping. Nos demais locais, o acesso é gratuito. Artistas circenses pernambucanos não pagam entrada, bastando apresentar os documentos. As oficinas são voltadas para escolas de circo. Para a realização do festival estão sendo gastos quase R$ 500 mil, com apoio do Governo do Estado, Prefeitura do Recife, Ministério da Cultura e empresas privadas e estatais. Informações: 3267-3687.