A prevenção contra alguns tipos de papilomavírus humanos (HPV) já é possível. No final de maio deste ano, o Food Drug Administration (FDA), órgão do governo dos Estados Unidos que fiscaliza alimentos e medicamentos, aprovou a comercialização no País de uma vacina contra quatro tipos principais de HPV, 6 e 11, de baixo risco, 16 e 18, de alto risco. O produto, com nome comercial Gerdasil, que foi produzido pelo laboratório Merck Sharp Domme e testado em vários países, inclusive no Brasil, é apropriado para aqueles que nunca tiveram nenhum contato com o vírus, por isso é indicado, principalmente, para as pessoas que ainda não iniciaram a vida sexual.
De acordo com a ginecologista Adriana Peixoto, especialista em patologia genital inferior, a vacina não cura quem já pegou o vírus, mas pode ajudar no tratamento. “A dose vai estimular a imunidade do paciente, melhorando a eficácia do tratamento a ser dado pelo médico”, afirma a doutora. Ela acredita que a vacina irá diminuir muito a incidência dos casos de lesões condilomatosas, causadas pelos tipos mais simples de HPV, e o câncer ano-genital, motivado pelas espécies mais perigosas do vírus e que pode atingir o colo do útero, a vagina, a vulva, o períneo e o ânus.
O imunologista Antônio Aguiar Filho diz que a chegada da vacina contra o HPV no Brasil está prevista para outubro, depende apenas do parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo ele, os papilomavírus humanos são transmitidos através de contato direto com a pele infectada. “Os HPV genitais são disseminados por meio das relações sexuais e podem causar desde doenças mais simples, como verrugas na genitália, a enfermidades piores que levam à morte, como o câncer”, explica. O médico destaca que no Brasil o câncer de colo de útero é o segundo tipo que mais atinge as mulheres, perdendo apenas para os tumores na mama.
Os dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que os fatores de risco para a incidência de câncer de colo de útero, o mais comum entre mulheres no mundo e responsável, anualmente, por cerca de 471 mil novos casos e pela morte de aproximadamente 230 mil mulheres, estão associados às baixas condições sócio-econômicas, ao início precoce da atividade sexual, à multiplicidade de parceiros sexuais, ao tabagismo, à higiene íntima inadequada e ao uso prolongado de contraceptivos orais.
Ainda de acordo com o órgão, o HPV está presente em mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero, mais evidentes na faixa etária de 20 a 29 anos e com maiores riscos entre os 45 aos 49 anos. A secretaria Estadual de Saúde informou que não há previsão da chegada da vacina em Pernambuco, e nem se a substância virá para a rede pública ou será comercializada na rede particular.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe
Com informações da Folha de Pernambuco.







