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Cursos de medicina na mira do MEC

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BRASÍLIA – Dezessete dos 103 cursos de medicina avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) apresentaram baixo desempenho e serão submetidos a um processo de supervisão pelo Ministério da Educação (MEC). As instituições – quatro delas federais – terão um prazo para justificar o mau rendimento e apresentar propostas para melhorar. Se nada disso der resultado, os cursos poderão fechar.

O ex-ministro da Saúde Adib Jatene preside a comissão avaliadora do ensino de medicina. Serão três níveis de acompanhamento: regras para autorização de novos cursos, reconhecimento (análise antes de as turmas serem formadas) e supervisão de cursos em andamento (cujos resultados iniciais foram apresentados ontem).

O ministro da Educação, Fernando Haddad, admitiu que o índice de baixo desempenho dos cursos (16% dos avaliados) não o surpreendeu, pois ficou na média dos demais cursos. Para ele, porém, é preciso esperar a justificativa das instituições. Ele disse que não pode ser descartada a hipótese de boicote.

Jatene citou a explosão dos cursos de medicina nos últimos 20 anos como um dos fatores para a mau resultado. Em 1994, havia 80 escolas de medicina no País. Hoje, são 175.

Entre as instituições com conceitos 1 ou 2 (baixos) no Enade e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) está a mais antiga do País, a Faculdade de Medicina da Bahia, ligada à Universidade Federal da Bahia (UFBA) – que este ano completou 200 anos. As outras federais são as de Alagoas, Pará e Amazonas.

Para Haddad, o fato de figurarem na lista quatro federais não preocupa. “Federais também estão entre as melhores”, justificou, referindo-se às do Rio Grande do Sul, Goiás, de Ciências da Saúde de Porto Alegre, de Santa Maria, do Piauí e de Mato Grosso. No caso das quatro com baixa atuação, o MEC deverá acompanhar o processo de saneamento. Se necessário, disse Haddad, recursos extras serão fornecidos.

As faculdades com conceitos 1 e 2 terão de apresentar um diagnóstico das razões que levaram a esse resultado e um plano de reestruturação – que poderá incluir recomendações para contratação de novos professores, redução do número de vagas e melhoria das instalações.

QI

Para o coordenador do curso de medicina da UFBA, Antônio Dantas, 69, o baixo rendimento dos alunos da faculdade no Enade se deve ao baixo QI (quociente de inteligência) dos baianos. Os alunos de medicina da UFBA tiveram conceito 2 no exame. “Se não houve boicote, o que não acredito, o resultado mostra a baixa inteligência deles.”

Para Dantas, que é baiano, o corpo docente da faculdade é qualificado e não seria justificativa para o mau resultado. O coordenador disse que o suposto baixo QI dos baianos é hereditário e verificado por quem convive com pessoas nascidas na Bahia.

“O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais (cordas), não conseguiria”, afirmou. Questionado se já foi alvo de críticas, Dantas disse que é franco e que reconhece a limitação dos que o cercam.

Fonte: Jornal do Commercio (30.04.2008)

MEC reprova 17 cursos

O Ministério da Educação vai supervisionar 17 cursos de Medicina do país que receberam nota 1 ou 2 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD).

Entre os 17, seis são do Rio de Janeiro. São eles: Centro Universitário Serra dos órgãos, Universidade Severino Sombra, Centro de Ensino Superior de Valença, Centro Universitário de Volta Redonda e Universidade de Iguaçu, unidades de Itaperuna e Nova Iguaçu. No total, 103 cursos de instituições públicas ou privadas foram avaliados.

Em contrapartida, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) recebeu nota máxima no Enade. A instituição, no entanto, não foi avaliada pelo IDD.

As melhores

As universidades federais do Rio Grande do Sul, de Goiás, de Ciências da Saúde de Porto Alegre, de Santa Maria, do Piauí e de Mato Grosso, receberam a nota máxima nos dois indicadores.

As instituições que foram reprovadas pelo MEC terão prazo de um ano para fazer um diagnóstico sobre o desempenho com medidas para sanar as deficiências.

A organização didático-pedagógica, a integração do curso com o sistema local de saúde, o perfil do discente, o perfil do quadro doscente e a infra-estrutura são alguns dos pontos que devem ser abordados no diagnóstico.

As instituições podem ser punidas caso as medidas adotadas não sejam consideradas suficientes. As sanções vão desde processos administrativos até a cassação do reconhecimento do curso.

Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, o governo não tem intenção de inibir a expansão de cursos superiores.
Entre os cursos que serão avaliados, quatro são de universidades federais. O número não assusta o ministro.

– As de conceito máximo também são federais – ponderou. A inspeção nos cursos de Medicina seguirá processo semelhante aos já realizados nos cursos de Direito e Pedagogia. Segundo Haddad, o ministério começou por esses cursos porque eles colocam em jogo a saúde e a educação pública. A supervisão dos cursos será feita por uma comissão que atuará de forma independente do ministério.

O presidente da Comissão de Supervisão de Cursos de Medicina, Adib Jatene, ressaltou que 52 cursos não foram avaliados porque ainda não formaram sua primeira turma. Para esses casos, Jatene sugeriu ao ministério uma avaliação anual.

Fonte: Jornal do Brasil.
Reportagem: Luciana Abade.

Dos cursos médicos mal avaliados, 3 estão em SP

Unimar (Marília) teve pior resultado, seguida de Unaerp (Ribeirão Preto) e Unimes (Santos). Unimar diz que alunos boicotaram Enade porque instituição antecipou formatura que fora marcada para a véspera do exame

Dos 17 cursos de medicina que serão vigiados pelo Ministério da Educação por causa de maus resultados, três ficam no Estado de São Paulo. São todos de universidades privadas.

A mais mal avaliada foi a Unimar (Universidade de Marília), que cobra mensalidade de cerca de R$ 3.500. Em seguida, vieram a Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto) e a Unimes (Universidade Metropolitana de Santos).

Tanto a reitoria quanto os alunos da Unimar dizem que seu curso de medicina foi injustamente classificado como o pior do país. O problema, dizem, ocorreu por causa da data da formatura dos estudantes.

O jantar, a colação de grau e o baile estavam marcados, respectivamente, para os dias 8, 9 e 10 de novembro de 2007. O Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), uma das bases para a avaliação do MEC, foi aplicado no dia 11.

Para evitar que os alunos fizessem a prova recém-saídos do baile -todos poderiam estar cansados e alguns, alcoolizados-, a reitoria decidiu adiantar as datas em uma semana.

A colação de grau foi, então, realizada no dia 2 de novembro, Dia de Finados. Os formandos não gostaram. Como revanche, segundo a versão da reitoria, os estudantes boicotaram o Enade.

“O ministério deveria dar alguma responsabilidade ao aluno. O ônus é todo da escola. Por causa do boicote, quem sofreu a pena não foi o aluno. Ficamos tachados como uma universidade de qualidade inferior”, diz o pró-reitor de graduação da Unimar, José Roberto Marques de Castro.

O presidente do diretório acadêmico do curso de medicina, Antonio Padron, 26, diz que o curso da Unimar tem qualidade. “Em relação à teoria, os alunos sabem até demais. O problema foram as datas”, diz ele.

“Boicote”

Procuradas, a Unaerp e a Unimes informaram que se manifestariam só após a comunicação oficial dos resultados. “Acreditamos que possa ter ocorrido algum engano ou boicote por parte dos alunos”, informou a Unaerp.

A Unimar dividiu o posto de pior escola médica com a Unig (Universidade Iguaçu), que também é particular e fica na região metropolitana do Rio. A Unig informou que só o coordenador do curso de medicina poderia se pronunciar, mas que ele já havia deixado a instituição no horário em que a Folha procurou a instituição, às 18h.

Problema é a mercantilização, diz Lottenberg

O médico oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do hospital Albert Einstein, de São Paulo, diz que um dos problemas das escolas médicas do Brasil é a falta de infra-estrutura. Segundo ele, que foi secretário municipal da Saúde na gestão José Serra (PSDB), os hospitais universitários funcionam mais como hospitais públicos do que como escolas. A seguir, trechos da entrevista.

Folha – O que o sr. pensa do mau desempenho dos cursos de medicina?
Claudio Lottenberg – Está havendo uma comercialização enorme da educação, com fusões e aquisições, todo um processo de mercantilização. E isso muitas vezes ocorre em detrimento da qualidade.

Folha – Como se pode ver essa falta de qualidade?
Lottenberg – Para formar gente boa, é preciso ter uma estrutura especial, principalmente o hospital-escola. No primeiro e no segundo ano, o curso é teórico. No terceiro ano, passa a ser cada vez mais prático. O problema é que o hospital-escola de muitas faculdades não tem infra-estrutura. Funciona como se fosse hospital público comum. Os professores não estão lá orientando, e os médicos que estão lá trabalhando não têm como orientar os estudantes. Eu, por exemplo, sou um oftalmologista, mas isso não quer dizer que tenho condições de ensinar oftalmologia a estudantes de medicina. Além disso, os pacientes nesses hospitais não são os pacientes aos quais um aluno deve atender. O hospital-escola é para treinar, e o hospital público é para atender à população. São diferentes.

Folha – Como é a formação teórica dos estudantes?
Lottenberg – Também tem problemas. O papel do professor está distorcido. Como é contratado com péssimas remunerações, está mudando o foco da atenção. Em vez de se concentrar nas aulas, o professor está mais preocupado com os protocolos de pesquisa. O médico sai mal preparado da universidade. Isso é uma decepção enorme para nós que acreditamos numa saúde melhor para o país.

Faltam bons médicos, diz chefe do Sírio

O médico sanitarista Gonzalo Vecina, superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, diz que sente no dia-a-dia a falta de qualificação dos médicos. O Sírio-Libanês recentemente abriu 18 vagas para a rede de saúde da prefeitura, mas não conseguiu preencher todas. “Não encontramos bons médicos”, explica ele, que foi secretário municipal de Saúde na gestão Marta Suplicy (PT). A seguir, trechos da entrevista.

Folha – O que o sr. pensa do mau desempenho dos cursos de medicina do país?
Gonzalo Vecina – A qualidade da formação médica caiu vertiginosamente nos últimos anos, muito em função da instalação de faculdades de medicina em condições inadequadas para seu funcionamento, sem professores preparados e sem campo de estágio adequado para receber esses alunos.

Folha – O sr., como superintendente de um hospital, consegue sentir essa formação ruim dos médicos?
Vecina – Temos acordos com a Prefeitura de São Paulo no gerenciamento de ambulatórios públicos. Há pouco tempo, abrimos uma seleção para contratar 18 médicos. Sobrou vaga. Não conseguimos preencher todas as vagas porque não encontramos bons médicos.

Folha – O que o sr. sente quando vê um médico que acaba de sair de uma faculdade ruim?
Vecina – Ele não é culpado. Ele buscou sua formação, pagou uma universidade privada. O problema está na instituição, que não trilhou o caminho certo, e está também no Estado [poder público], que não exigiu qualidade da universidade.

Folha – Deveria haver uma prova para que os médicos exerçam a medicina, como ocorre com o direito, que tem o exame da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil]?
Vecina – Tem cabimento o Estado permitir que se forme um profissional porcaria e depois reprovar o sujeito na prova e impedi-lo de trabalhar? Pelo menos na medicina, o correto é o Estado intervir antes, e não depois.

Entidades médicas defendem o veto à ampliação de vagas

A fiscalização mais intensa do MEC nos cursos de medicina atende a uma antiga reivindicação de entidades médicas, que defendem uma medida ainda mais radical: o veto à ampliação de vagas na área. Defendida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), por exemplo, a tese é que há médicos suficientes no Brasil -ou até em excesso.

As entidades ligam a expansão do número de cursos, iniciada há cerca de dez anos, à queda na qualidade no ensino, apontada pelos dados do MEC.

“Os dados mostram que não precisamos de mais vagas. Além disso, se mantida a lógica dos últimos anos, aumentaremos o número de médicos mal preparados”, disse o presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), Henrique Carlos Gonçalves.

Um dos trabalhos sobre o número de médicos no país, assinado pelo CFM e pela AMB, destaca que a Organização Mundial da Saúde estabelece como adequada a proporção de um médico para cada mil habitantes. No país, a proporção era de 1 médico para cada 622 habitantes em 2005.
O trabalho, chamado “Abertura de Escolas de Medicina no Brasil – Relatório de um Cenário Sombrio”, foi encaminhado ao Ministério da Educação para pedir maior controle no setor.

“O excedente de mão-de-obra, ao fazer prevalecer a lei da oferta e da procura, traz reflexos danosos à política salarial aplicada à classe médica, bem como aos honorários médicos”, aponta o relatório.

O relatório também aponta desigualdade na distribuição dos médicos no país. No Rio de Janeiro, proporcionalmente, havia três vezes mais médicos do que no Maranhão.

“Precisamos é criar condições para que os médicos sejam atraídos para os locais deficitários”, disse Gonçalves. A pesquisadora Sônia Miriam Draibe, da Unicamp, discorda da tese. “Entendo que seja necessário formar mais médicos. As filas no SUS e a última crise no Rio [ocasionada pela dengue] mostram isso. Mas é claro que os cursos precisam ter qualidade.”

Falta médico nas regiões Norte e Nordeste do país, diz estudo

Como resultado da maior rigidez na autorização para abertura de cursos médicos, enquanto o número de concluintes no ensino superior teve crescimento de 200% de 1994 a 2006, a variação entre alunos formados em cursos de medicina foi de apenas 36%, segundo o Censo da Educação Superior.

O levantamento mostra também que a formação continua concentrada no Sudeste. Em 2006, os quatro Estados dessa região representavam 43% da população, mas tinham 59% dos formados em medicina.

Já as regiões Norte e Nordeste (que respondem, juntas, por 36% da população) formaram apenas 21% dos médicos.

Essa discrepância entre o número de formados e a população acaba se refletindo na relação de médicos por habitante. Um estudo divulgado neste mês pelo Centro de Políticas Sociais da FGV mostra que o Distrito Federal (um profissional para 292 habitantes), o Rio (um para 299) e São Paulo (um para 448) têm a maior proporção de médicos no país.

No outro extremo, estão o Maranhão (1 para 1.786 habitantes), o Pará (1 para 1.351) e o Piauí (1 para 1.282). Esse estudo, realizado pelo economista Marcelo Neri, concluía que o país enfrentava escassez de médicos e que deveria ser feito um esforço para formar mais profissionais. Neri comparou a partir de pesquisas do IBGE indicadores do mercado de trabalho para 31 carreiras. Os médicos foram os que apresentam maiores rendimentos (R$ 6.270 em 2000), a maior ocupação (90% estão empregados) e a maior jornada (50 horas semanais). Ele também comparou, baseado em estatísticas da ONU, o número de médicos por habitantes no Brasil com outros países. O país está na 84ª posição entre 174 nações. A maior proporção de médicos ocorre em Cuba (1 para 169 habitantes).

A presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio, Márcia Rosa de Araújo, disse concordar em parte com as conclusões da pesquisa. Segundo ela, é preocupante o número de novos cursos de medicina criados todo ano, o que põe em risco a qualidade da formação.

Fonte: Folha de São Paulo.
Reportagem: Ricardo Westin, Fábio Takahashi e Antônio Gois.

Cursos de medicina sob pressão

Análise de desempenho do ensino feita pelo MEC coloca 17 escolas do país na lista de entidades que serão supervisionadas. A Faculdade do Planalto Central entrou no documento e terá que fazer ajustes

O Ministério da Educação divulgou ontem a lista dos 17 cursos de medicina que deverão passar por supervisão por apresentarem, simultaneamente, notas abaixo de 3 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). Juntos, eles compõem o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes).

Entre as escolas, há uma do Distrito Federal: a Faculdade de Medicina do Planalto Central, da Uniplac, que recebeu conceito 2 tanto no Enade quanto no IDD. O Correio entrou em contato várias vezes com a faculdade, mas a reportagem foi informada que o diretor do curso, Henrique César de Almeida Maia, estava realizando uma cirurgia. Em outra ligação, a atendente alegou que ele não poderia falar porque estaria em sala de aula.

Na próxima semana, as instituições serão notificadas pelo MEC e terão de apresentar, no prazo de 10 dias, um diagnóstico dos problemas e as sugestões de como resolvê-los. No documento, deverá ser explicitado o perfil dos professores, o número de vagas oferecidas, a infra-estrutura e a integração do curso com os sistemas local e regional de saúde, entre outros itens. Se a Secretaria de Educação Superior (SeSu) considerar suficientes as medidas propostas, poderá assinar um termo de compromisso de saneamento com as faculdades e universidades. Caso contrário, uma comissão visitará as instituições e entrará com processo administrativo, com penas que vão do corte no número de vagas à cassação do reconhecimento do curso.

De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, o objetivo do MEC não é frear a expansão universitária, mas garantir a qualidade da aprendizagem. O curso de medicina é o terceiro a passar por supervisão. Os outros dois foram direito e pedagogia. “Escolhemos esses cursos porque eles dialogam diretamente com o dia-a-dia de todos os cidadãos. A administração da Justiça, a saúde pública e a escola pública é que estão em jogo quando se trata da aferição da qualidade desses cursos.”

Ex-ministro da Saúde, o médico Adib Jatene, que há dois meses auxilia o ministério como presidente da comissão que auxilia o MEC na supervisão das instituições, destacou que a quantidade de cursos de medicina saltou de 80, em 1994, para 175, atualmente. “Quando o ministro solicitou que constituíssemos uma comissão para ajudar nesse controle, senti que apareceu uma luz no fim do túnel”, disse. Fernando Haddad afirmou que a supervisão dos cursos é uma “mudança de paradigma” do MEC. “Se entendia no passado que ao Estado caberia apenas avaliar. A regulamentação seria feita apenas pelo mercado. Mas hoje há um entendimento que a educação não funciona bem se o MEC não avaliar e regular.”

Federais na lista

Das 17 instituições que passarão por supervisão, quatro são universidades federais. O ministro alertou que é preciso investigar se houve boicote por parte dos alunos durante as provas do Enade e lembrou que, dos 103 cursos de medicina avaliados, seis obtiveram nota máxima. Todos eles, de universidades federais. Como a Lei de Diretrizes e Bases determina que cabe ao mantenedor oferecer as condições para a recuperação dos cursos deficitários, o MEC terá de arcar com recursos extras, caso as federais da lista precisem, por exemplo, contratar mais professores ou reestruturar os laboratórios.

O curso de medicina foi o último a passar pela avaliação com base no Enade e no IDD. A partir do próximo semestre, o Sinaes levará em conta, além dos conceitos obtidos, fatores como a estrutura do currículo e a formação do corpo docente. Além da supervisionar as 17 escolas de medicina, o MEC estabeleceu, neste mês, um novo modelo de autorização para a abertura de novos cursos e para o reconhecimento dos que já foram autorizados mas ainda não passaram por avaliações por não terem alunos concluintes.

Escola do GDF se destaca

Os alunos da Escola Superior de Ciências da Saúde, mantida pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal, receberam nota máxima no Enade, indicador do MEC que monitora o rendimento dos universitários. A faculdade criada há oito anos obteve o melhor desempenho do DF, deixando para trás a Universidade de Brasília (nota 4), a Universidade Católica (nota 3) e a Faculdade de Medicina do Planalto Central (nota 2). A escola ficou pouco atrás da UnB, porém, no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), outro fator analisado pelo MEC : teve nota 3 e a UnB, 4. O resultado foi comemorado pelo diretor da ESCS, Mourad Ibrahim Belaciano, que está à frente da faculdade desde a criação e implantação do curso. “Apostamos em um projeto de ensino diferente e agora estamos colhendo os frutos”, ressaltou o diretor.

A Escola Superior de Ciências da Saúde tem currículo diferenciado. O conteúdo não está dividido em disciplinas específicas como nas outras escolas, mas em módulos temáticos, em que a turma é formada por pequenos grupos e o professor funciona como uma espécie de tutor. “O método cobra do aluno raciocínio, capacidade analítica e atitude. O professor é apenas um facilitador, um orientador”, explica. Outra diferença é a ênfase na prática: desde o início do curso os estudantes freqüentam os postos de saúde e os hospitais da rede pública do DF. “Procuramos formar médicos que saibam reconhecer a importância do contexto social e psicológico em que o paciente está inserido. Confio que estamos conseguindo.”

Fonte: Correio Braziliense.
Reportagem: Paloma Oliveto.

No Rio, 6 dos piores cursos de medicina

Enade reprova 17 deles no país, sendo 4 de universidades federais; no estado, Uerj foi a melhor

O Ministério da Educação (MEC) vai exigir melhorias em 17 cursos de medicina – seis deles no Estado do Rio – que foram duplamente reprovados no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), teste substituto do Provão. Os resultados foram divulgados ontem. As faculdades serão inspecionadas a partir de maio e, dependendo do diagnóstico, poderão ser obrigadas a reduzir o número de vagas nos próximos vestibulares, a exemplo do que já ocorre em cursos de Direito e do que será feito também em pedagogia e normal superior (magistério).

As 17 faculdades tiraram notas 1 ou 2 tanto no Enade do ano passado quanto no conceito chamado IDD, o que significa reprovação. A escala vai até 5. Esse conceito é calculado a partir dos resultados de calouros e formandos, indicando a contribuição específica do curso para a formação dos estudantes – independentemente do que eles sabiam antes do vestibular. Assim, mesmo faculdades que receberam jovens com pior formação na educação básica podem tirar notas acima de 2.

– Nossa intenção não é inibir a expansão do ensino superior no Brasil, mas garantir que essa expansão se dê com qualidade – disse o ministro da Educação, Fernando Haddad.

O MEC divulgou os resultados de 103 faculdades de medicina avaliadas no Enade em 2007. Oito delas tiraram a nota máxima 5, sendo que apenas seis conseguiram o duplo 5, isto é, nota máxima na prova do Enade e no IDD. Todas elas são públicas.

As seis melhores são federais e nenhuma é da Região Sudeste – três são gaúchas, uma do Piauí, uma de Goiás e uma de Mato Grosso. Entre as 17 instituições reprovadas e que serão alvo da supervisão do governo, quatro são federais e as demais, particulares. Cursos de instituições estaduais e municipais, mesmo que tenham tirado conceitos 2 no Enade e no IDD, estão fora do sistema federal e, por isso, não podem ser supervisionadas pelo ministério.

No Rio, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foi a instituição com melhor desempenho: ficou com nota 5 no Enade e sem conceito no IDD. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC responsável pelo exame, isso ocorreu porque a Uerj não teria tido calouros avaliados em número suficiente no Enade de 2004.

Pela primeira vez, o IDD foi calculado com base no desempenho dos alunos em anos diferentes: a nota dos calouros de 2004 foi comparada à obtida pelos formandos em 2007.

Os seis piores cursos no Rio foram os do Centro Universitário Serra dos Órgãos, em Teresópolis; da Universidade Severino Sombra, em Vassouras; do Centro de Ensino Superior de Valença; do Centro Universitário de Volta Redonda; e as unidades da Universidade Iguaçu em Itaperuna e Nova Iguaçu. O curso de medicina da Gama Filho também tirou conceito 2 no Enade, mas, como ficou com 3 no IDD, não será fiscalizado. Ao todo, 15 cursos do Estado do Rio foram avaliados.

O cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene, coordenador de uma comissão de especialistas que acompanha o ensino médico, defendeu o endurecimento do MEC no combate à falta de qualidade, e disse que finalmente “viu luz no fim do túnel”: – Se até 1994 tínhamos 80 faculdades de medicina, hoje temos 175.

Claro que os mecanismos de autorização não estavam permitindo que o ministério coibisse esse crescimento fora de propósito.

Governo pode liberar verbas para as federais reprovadas

Associação de Mantenedoras do Ensino Superior condena supervisão e diz que Enade é apenas parte da avaliação

Brasília. A supervisão do MEC nas 17 instituições reprovadas no Enade será iniciada com uma inspeção in loco.
Depois disso, especialistas do MEC definirão as medidas que deverão ser tomadas. Entre elas, podem estar a exigência de contratação de professores com mestrado e doutorado, a revisão dos currículos e a compra de livros para as bibliotecas. Neste mês, o ministério endureceu as regras para a abertura de cursos de medicina.

Um dos itens prevê que a instituição deverá ter hospital ou contrato de dez anos para uso de complexo hospitalar vinculado ao curso.
O ministro Fernando Haddad disse que o governo está disposto a liberar recursos para as quatro universidades federais reprovadas: Alagoas, Amazonas, Bahia e Pará. Com a supervisão, o MEC pela primeira vez deu conseqüência aos resultados das avaliações.

Na época do Provão, os cursos repetidamente reprovados não só não eram fechados como continuavam funcionando sem problemas.
– Anunciar o fechamento de curso é se precipitar demais. O que temos que fazer é dar liberdade para a comissão supervisora fazer um bom trabalho.

Nosso desejo é o aprimoramento da instituição – disse o ministro. A Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes) condena a supervisão. Diz que o Enade é apenas parte da avaliação, já que o sistema nacional prevê também inspeções rotineiras para análise de cursos e instituições, além de uma autoavaliação.

A entidade entregará na semana que vem a Haddad um documento com críticas ao mecanismo. – Utilizar um único item do sistema para avaliar a instituição quebra o próprio sistema de avaliação instituído pelo governo – disse o consultor jurídico da Abmes, José Roberto Covac.

Fonte: O Globo.
Reportagem: Demétrio Weber.

CARTAS
Curso de medicina

Em referência à notícia de que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) pretende apertar o cerco aos cursos de medicina, a Associação Médica Brasileira (AMB) cumprimenta o MEC por interromper um descalabro que se estende há muitas décadas. Vê-se uma tentativa corajosa de moralização no setor. A sociedade precisa acompanhar o desenvolvimento dessa questão para evitar distorções e influências políticas, que podem comprometer a aplicação da medida. A AMB, desde já, se coloca à disposição do MEC nesta empreitada. (José Luiz Gomes do Amaral, presidente da AMB, São Paulo).

Fonte: Gazeta Mercantil.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.

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Cursos de medicina na mira do MEC

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O ex-ministro da Saúde Adib Jatene preside a comissão avaliadora do ensino de medicina. Serão três níveis de acompanhamento: regras para autorização de novos cursos, reconhecimento (análise antes de as turmas serem formadas) e supervisão de cursos em andamento (cujos resultados iniciais foram apresentados ontem).

O ministro da Educação, Fernando Haddad, admitiu que o índice de baixo desempenho dos cursos (16% dos avaliados) não o surpreendeu, pois ficou na média dos demais cursos. Para ele, porém, é preciso esperar a justificativa das instituições. Ele disse que não pode ser descartada a hipótese de boicote.

Jatene citou a explosão dos cursos de medicina nos últimos 20 anos como um dos fatores para a mau resultado. Em 1994, havia 80 escolas de medicina no País. Hoje, são 175.

Entre as instituições com conceitos 1 ou 2 (baixos) no Enade e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) está a mais antiga do País, a Faculdade de Medicina da Bahia, ligada à Universidade Federal da Bahia (UFBA) – que este ano completou 200 anos. As outras federais são as de Alagoas, Pará e Amazonas.

Para Haddad, o fato de figurarem na lista quatro federais não preocupa. “Federais também estão entre as melhores”, justificou, referindo-se às do Rio Grande do Sul, Goiás, de Ciências da Saúde de Porto Alegre, de Santa Maria, do Piauí e de Mato Grosso. No caso das quatro com baixa atuação, o MEC deverá acompanhar o processo de saneamento. Se necessário, disse Haddad, recursos extras serão fornecidos.

As faculdades com conceitos 1 e 2 terão de apresentar um diagnóstico das razões que levaram a esse resultado e um plano de reestruturação – que poderá incluir recomendações para contratação de novos professores, redução do número de vagas e melhoria das instalações.

QI
Para o coordenador do curso de medicina da UFBA, Antônio Dantas, 69, o baixo rendimento dos alunos da faculdade no Enade se deve ao baixo QI (quociente de inteligência) dos baianos. Os alunos de medicina da UFBA tiveram conceito 2 no exame. “Se não houve boicote, o que não acredito, o resultado mostra a baixa inteligência deles.”

Para Dantas, que é baiano, o corpo docente da faculdade é qualificado e não seria justificativa para o mau resultado. O coordenador disse que o suposto baixo QI dos baianos é hereditário e verificado por quem convive com pessoas nascidas na Bahia.

“O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais (cordas), não conseguiria”, afirmou. Questionado se já foi alvo de críticas, Dantas disse que é franco e que reconhece a limitação dos que o cercam.