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Inalador aumenta riscos cardíacos

Remédios usados contra doenças pulmonares oferecem danos

Rodrigo Craveiro // Do Correio Braziliense

Brasília – Os dois medicamentos podem ser adquiridos em qualquer drogaria de Brasília: 30 cápsulas do Spiriva (brometo de tiotrópio) custam cerca de R$ 316,42; a solução de Atrovent é vendida a R$ 27. Receitadas para o tratamento das chamadas doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOCs), como enfisema pulmonar e bronquite crônica, as drogas estão no centro de uma polêmica.

Uma pesquisa publicada pela revista Journal of the American Medical Association revela que os broncodilatadores aumentam em até 58% o perigo de enfarte, derrame e morte por problemas cardiovasculares. Os anticolinérgicos inalados são drogas que relaxam as vias respiratórias e facilitam a respiração, além de protegê-las de broncoespasmos capazes de comprimir a passagem de ar.

Os pesquisadores afirmam que as substâncias provocam arritmia cardíaca. Além disso, como as DPOCs são doenças inflamatórias, pode haver um aumento da própria inflamação. Portadora de enfisema pulmonar, a gaúcha Mara ReginaWeiss conta que toma o Spiriva já há alguns anos. “O coração acelera um pouco, sinto mais com o Combivent (uma bombinha) do que com os outros, mas o médico disse que é normal”, afirmou. Segundo o famacologista inglês Yoon Loke, as drogas aumentam a taxa de batimentos cardíacos, levando o coração ao estresse.

Os cientistas começaram a se preocupar com os inaladores em março passado, quando a farmacêutica Boehringer Ingelheim, fabricante do Spiriva e do Atrovent, relatou dados preliminares que indicavam um risco maior de derrame em pacientes que tomavam o brometo de tiotrópio – são cerca de 8 milhões de pacientes em todo o mundo.