Normalmente, quando uma pessoa não sente nenhuma dor ou incômodo, ela acredita estar saudável. Este é o pensamento da maioria dos cidadãos. Há doenças cujos pacientes não apresentam sintoma algum, o que pode ser perigoso. A hepatite C é uma das patologias silenciosas e, em contraponto, a principal pandemia do mundo, com cerca de 170 milhões de infectados. No Brasil, conforme dados da Sociedade Brasileira de Hepatologia, há entre três e quatro milhões de indivíduos com o vírus da hepatite C. Muitos, nem sabem que o possuem.
Desta forma, o Ministério da Saúde deu início a campanha de conscientização sobre a importância de um diagnóstico precoce. Já o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) realiza, hoje, uma panfletagem, das 8h às 17h, na própria unidade de saúde, a fim de prestar informações sobre a doença. Em Pernambuco, no ano passado, foram notificados 242 casos de hepatite C, pela Secretaria Estadual de Saúde, cerca de 160 a mais que em 2010. A intenção é reduzir esse número novamente.
A forma de transmissão da doença é, predominantemente, a transfusão de sangue. “Por isso, quem doou ou recebeu sangue antes de 1993, tem chances de possuir a doença e nem saber, porque, naquela época, não se testava o sangue, nem se conhecia o vírus”, explicou a hepatologista do Imip Cinthia Cordeiro. De acordo com a especialista, as pessoas que são usuárias de drogas intravenosas; compartilhem equipamentos de uso pessoal; possuam tatuagem; piercings; ou apresentem outra forma de exposição subcutânea fazem parte do grupo de risco.
O aposentado Josias Lino Moura, 68, bem sabe disso. Nos anos 80, ele passou por uma cirurgia de úlcera no estômago e precisou de transfusão de sangue. Foi quando ele contraiu a doença, mas só soube que a tinha no ano passado, quando foi a uma campanha, também no Imip. “Lá, me encaminharam à médica e estou em tratamento. No início fiquei com medo e minha família ficou triste. Mas agora eles vêem que eu estou melhorando”, contou. O próximo passo do idoso é fazer uma biópsia do fígado e começar a tomar os medicamentos.
Com relação à gravidade da doença, a hepatologista Cinthia frisou que em torno de 70% dos portadores do vírus tornam-se pacientes crônicos. “Só uma minoria consegue se livrar do vírus. Dos 70%, em torno de 20% evoluem para cirrose hepática e adquirem a possibilidade de desenvolver câncer de fígado”, afirmou a médica. Contudo, há tratamento para a hepatite. A depender do subtipo do vírus, ele pode durar de seis meses a um ano. “Em alguns casos, é mais que um ano, porque vai depender da forma como os subtipos vão responder ao medicamento. Os pacientes são avaliados para o uso da medicação específica, que é feita com aplicações semanais, junto ao uso de comprimido, que é diário”, revelou. A médica ainda comentou que novos remédios surgiram para o tratamento da doença.







