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Obesidade infantil já é epidemia no País

Segundo Ministério da Saúde, três em cada dez crianças no Brasil estão com excesso de peso. Culinária criativa pode ser saída

Cecília Preda
Diário da Manhã
13/12/2012 às 22h33

Três a cada 10 crianças estão obesas, afirma o Ministério da Saúde. Segundo o órgão, a obesidade infantil já é uma epidemia no País e precisa ser combatida. De acordo com especialistas, crianças obesas têm grandes chances de desenvolver diabetes e síndrome metabólica. Para os estudiosos, a ajuda dos pais é a melhor forma de reverter o problema.

“Salgadinhos, promoções de sanduíches enormes, refrigerante, e a tarde em frente ao computador não poderiam resultar em um corpo saudável”, afirma a endocrinologista Isabel Cristina Carvalho. Segundo a médica, os maus hábitos são os responsáveis em causar obesidade nas crianças.

Isabel alerta que os alimentos conhecidos com ‘fast food’ são os maiores vilões das crianças na atualidade. Ela explica que essas comidas, além de conter um alto índice de gordura e fritura, também são extremamente calóricas e colaboram diretamente para o ganho de peso.

A endocrinologista afirma que a publicidade tende a usar de todas as formas e estratégias para conquistar a preferência das crianças. “É fato que os pequenos já se sentem atraídos por batatas fritas e sanduíches. Com promoções e brindes, eles fazem com que elas se rendam a um perigo que pode trazer grandes consequências maléficas para o futuro”, diz Isabel.

O sedentarismo infantil também preocupa Carvalho. Ela afirma que a modernidade vem fazendo com que crianças abandonem os esportes e dediquem o tempo livre a computadores e videogames. “A falta de atividade física é outro fator que colabora para a obesidade infantil. Estamos vivendo em uma era em que crianças não se interessam mais por esportes como antigamente”, pontua.

A médica explica que as crianças que estão acima do peso têm grandes chances de se tornarem adultos obesos e, consequentemente, adquirirem doenças como diabetes e síndrome metabólica. “A cada dia que passa, nós encontramos mais e mais crianças que desenvolveram diabetes, doença que, antigamente, surgia apenas depois dos 30 anos de idade”.

Para combater a obesidade, segundo a nutricionista Elisa Masson, em primeiro lugar os pais precisam incentivar os filhos a participarem de esportes ao ar livre. Segundo ela, é importante que as crianças sintam prazer ao realizar atividades físicas. Por isso, é fundamental que os pais conversem com os pequenos para descobrir que esporte desperta mais interesse na criança.

Outra forma de ajudar as crianças é investir no que Elisa chama de “culinária divertida”. Ela explica que os pais podem realizar pratos que chamem atenção da criança durante a refeição, além de prepararem receitas que estimulem a criatividade delas.

“A melhor forma de inserir um cardápio saudável na alimentação das crianças é fazendo pratos que não remetam à ideia de que o alimento é sem graça”, explica Elisa. Segundo ela, verduras, frutas e legumes preparados de forma tradicional não costumam atrair o paladar infantil.

Masson explica que alimentos sem gordura e açúcar podem sim ganhar o gosto dos pequenos, desde que preparados de forma especial. Ela ainda ressalta que, ao contrário do que muitos pais imaginam, não é difícil fazer com que as crianças aprendam a gostar de comidas saudáveis.

“Muitos pais acham que é difícil preparar um prato que estimule a criatividade e a atenção dos filhos. Mas não vejo isso como um sacrifício. O tempo gasto tentando fazer uma criança comer uma verdura a força é mais bem aproveitado preparando um alimento que ela irá ingerir por espontânea vontade”, relata Elisa. Segundo ela, um prato colorido elaborado com carinho já é capaz de chamar a atenção dos pequenos.

Culinária Divertida

Nutricionista e professora do curso de Gastronomia da Faculdade Cambury, Laila Biancardini explica como os pais podem preparar pratos saudáveis para crianças. Ela conta que uma receita que faz sucesso entre os pequenos é o “refrigerante de laranja de mentirinha”. Segundo ela, basta misturar cenoura, limão, água e gelo. “As crianças gostam da mistura e acreditam que estão tomando refrigerante. Essa é uma ótima saída para crianças que ainda possuem resistência em tomar sucos”, relata.

Biancardini conta que os pais podem procurar um curso de gastronomia para aprender a realizar pratos divertidos. “Na Cambury realizamos uma palestra para mostrar como os alimentos podem ser preparados de forma atrativa para as crianças. É importante que os futuros chefs aprendam a cozinhar alimentos saudáveis para as crianças”, explica.

A professora ainda ressalta que é importante que os pais permitam que as crianças participem do preparo dos alimentos. “Elas se sentem mais motivadas a comer frutas e legumes quando percebem que o prato teve a participação delas”, explica.

Fast-food saudável

Outra dica da gastrônoma é o fast-food light. Segundo ela, é importante que a criança possa comer batatas e sanduíches. No entanto, para garantir que as crianças não ingiram muita gordura, ela ensina como preparar esse tipo de alimento.

“Ao invés de fritar as batatas, os pais podem assá-las. Basta colocar um pouco de farinha de trigo e azeite e levar ao forno. Fica crocante e as crianças adoram”, relata Laila.

Biancardini ainda ensina uma alternativa para as crianças que são apaixonadas por pizza. Segundo ela, os pais podem investir em recheios de peito de peru, que é mais saudável do que a calabresa e o presunto, que, normalmente, são usados para elaborar o prato tão desejado pelas crianças.

Açúcar ou adoçante?

A nutricionista Elisa esclarece a dúvida que muitos pais têm na hora de preparar sucos e vitaminas para os filhos. Usar ou não usar adoçante? Segundo Masson, não é indicado que crianças façam a ingestão de adoçante. “Ele é recomendado apenas se a criança for diabética”, explica.

Segundo Elisa, o correto é que os pais estimulem que a criança sinta o sabor das frutas sem precisar adoçar o suco. No entanto, caso os responsáveis considerem que o açúcar realmente é necessário, a melhor opção é usar o açúcar mascavo. “Para garantir a saúde das crianças é bom evitar o açúcar industrializado”, conclui.

Exemplo

Deuba Assunção é um exemplo de mãe que procura ao máximo que seu filho de 8 anos tenha uma dieta saudável. Ela conta que quando o filho nasceu, todos pensavam que ele seria uma criança obesa.

“Com sete meses, ele pesava 12 quilos, quando o normal é oito”, afirma Assunção. Segundo ela, o fato de o filho estar acima do peso normal indicado para a idade fez com que ela passasse a se preocupar com a alimentação do filho, que hoje tem o Índice de Massa Corpórea (IMC) considerado normal pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Deuba relata que as refeições do filho são ricas em proteínas, fibras e vitaminas. “Ele adora cenoura, tomate, alface. No lanche escolar nada de fritura e refrigerante, sempre algo assado, um suco e uma barrinha de cereal”, afirma.

Fonte: Diário da Manhã (GO)

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe

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Privado: Obesidade infantil já é epidemia no País

Segundo Ministério da Saúde, três em cada dez crianças no Brasil estão com excesso de peso. Culinária criativa pode ser saída

Cecília Preda
Diário da Manhã
13/12/2012 às 22h33

Três a cada 10 crianças estão obesas, afirma o Ministério da Saúde. Segundo o órgão, a obesidade infantil já é uma epidemia no País e precisa ser combatida. De acordo com especialistas, crianças obesas têm grandes chances de desenvolver diabetes e síndrome metabólica. Para os estudiosos, a ajuda dos pais é a melhor forma de reverter o problema.

“Salgadinhos, promoções de sanduíches enormes, refrigerante, e a tarde em frente ao computador não poderiam resultar em um corpo saudável”, afirma a endocrinologista Isabel Cristina Carvalho. Segundo a médica, os maus hábitos são os responsáveis em causar obesidade nas crianças.

Isabel alerta que os alimentos conhecidos com ‘fast food’ são os maiores vilões das crianças na atualidade. Ela explica que essas comidas, além de conter um alto índice de gordura e fritura, também são extremamente calóricas e colaboram diretamente para o ganho de peso.

A endocrinologista afirma que a publicidade tende a usar de todas as formas e estratégias para conquistar a preferência das crianças. “É fato que os pequenos já se sentem atraídos por batatas fritas e sanduíches. Com promoções e brindes, eles fazem com que elas se rendam a um perigo que pode trazer grandes consequências maléficas para o futuro”, diz Isabel.

O sedentarismo infantil também preocupa Carvalho. Ela afirma que a modernidade vem fazendo com que crianças abandonem os esportes e dediquem o tempo livre a computadores e videogames. “A falta de atividade física é outro fator que colabora para a obesidade infantil. Estamos vivendo em uma era em que crianças não se interessam mais por esportes como antigamente”, pontua.

A médica explica que as crianças que estão acima do peso têm grandes chances de se tornarem adultos obesos e, consequentemente, adquirirem doenças como diabetes e síndrome metabólica. “A cada dia que passa, nós encontramos mais e mais crianças que desenvolveram diabetes, doença que, antigamente, surgia apenas depois dos 30 anos de idade”.

Para combater a obesidade, segundo a nutricionista Elisa Masson, em primeiro lugar os pais precisam incentivar os filhos a participarem de esportes ao ar livre. Segundo ela, é importante que as crianças sintam prazer ao realizar atividades físicas. Por isso, é fundamental que os pais conversem com os pequenos para descobrir que esporte desperta mais interesse na criança.

Outra forma de ajudar as crianças é investir no que Elisa chama de “culinária divertida”. Ela explica que os pais podem realizar pratos que chamem atenção da criança durante a refeição, além de prepararem receitas que estimulem a criatividade delas.

“A melhor forma de inserir um cardápio saudável na alimentação das crianças é fazendo pratos que não remetam à ideia de que o alimento é sem graça”, explica Elisa. Segundo ela, verduras, frutas e legumes preparados de forma tradicional não costumam atrair o paladar infantil.

Masson explica que alimentos sem gordura e açúcar podem sim ganhar o gosto dos pequenos, desde que preparados de forma especial. Ela ainda ressalta que, ao contrário do que muitos pais imaginam, não é difícil fazer com que as crianças aprendam a gostar de comidas saudáveis.

“Muitos pais acham que é difícil preparar um prato que estimule a criatividade e a atenção dos filhos. Mas não vejo isso como um sacrifício. O tempo gasto tentando fazer uma criança comer uma verdura a força é mais bem aproveitado preparando um alimento que ela irá ingerir por espontânea vontade”, relata Elisa. Segundo ela, um prato colorido elaborado com carinho já é capaz de chamar a atenção dos pequenos.

Culinária Divertida

Nutricionista e professora do curso de Gastronomia da Faculdade Cambury, Laila Biancardini explica como os pais podem preparar pratos saudáveis para crianças. Ela conta que uma receita que faz sucesso entre os pequenos é o “refrigerante de laranja de mentirinha”. Segundo ela, basta misturar cenoura, limão, água e gelo. “As crianças gostam da mistura e acreditam que estão tomando refrigerante. Essa é uma ótima saída para crianças que ainda possuem resistência em tomar sucos”, relata.

Biancardini conta que os pais podem procurar um curso de gastronomia para aprender a realizar pratos divertidos. “Na Cambury realizamos uma palestra para mostrar como os alimentos podem ser preparados de forma atrativa para as crianças. É importante que os futuros chefs aprendam a cozinhar alimentos saudáveis para as crianças”, explica.

A professora ainda ressalta que é importante que os pais permitam que as crianças participem do preparo dos alimentos. “Elas se sentem mais motivadas a comer frutas e legumes quando percebem que o prato teve a participação delas”, explica.

Fast-food saudável

Outra dica da gastrônoma é o fast-food light. Segundo ela, é importante que a criança possa comer batatas e sanduíches. No entanto, para garantir que as crianças não ingiram muita gordura, ela ensina como preparar esse tipo de alimento.

“Ao invés de fritar as batatas, os pais podem assá-las. Basta colocar um pouco de farinha de trigo e azeite e levar ao forno. Fica crocante e as crianças adoram”, relata Laila.

Biancardini ainda ensina uma alternativa para as crianças que são apaixonadas por pizza. Segundo ela, os pais podem investir em recheios de peito de peru, que é mais saudável do que a calabresa e o presunto, que, normalmente, são usados para elaborar o prato tão desejado pelas crianças.

Açúcar ou adoçante?

A nutricionista Elisa esclarece a dúvida que muitos pais têm na hora de preparar sucos e vitaminas para os filhos. Usar ou não usar adoçante? Segundo Masson, não é indicado que crianças façam a ingestão de adoçante. “Ele é recomendado apenas se a criança for diabética”, explica.

Segundo Elisa, o correto é que os pais estimulem que a criança sinta o sabor das frutas sem precisar adoçar o suco. No entanto, caso os responsáveis considerem que o açúcar realmente é necessário, a melhor opção é usar o açúcar mascavo. “Para garantir a saúde das crianças é bom evitar o açúcar industrializado”, conclui.

Exemplo

Deuba Assunção é um exemplo de mãe que procura ao máximo que seu filho de 8 anos tenha uma dieta saudável. Ela conta que quando o filho nasceu, todos pensavam que ele seria uma criança obesa.

“Com sete meses, ele pesava 12 quilos, quando o normal é oito”, afirma Assunção. Segundo ela, o fato de o filho estar acima do peso normal indicado para a idade fez com que ela passasse a se preocupar com a alimentação do filho, que hoje tem o Índice de Massa Corpórea (IMC) considerado normal pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Deuba relata que as refeições do filho são ricas em proteínas, fibras e vitaminas. “Ele adora cenoura, tomate, alface. No lanche escolar nada de fritura e refrigerante, sempre algo assado, um suco e uma barrinha de cereal”, afirma.