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Recife, a capital nordestina do cigarro

Tudo começou como moda de escola. O advogado Thiago Sales, na época com 16 anos, queria acompanhar os amigos na curtição. Entre um trago e outro, já se passaram 13 anos e a carteira de cigarro permanece no bolso. “Sou fumante ocasional e consigo passar dias sem fumar”, pondera. Thiago é parte dos 10,3% de recifenses que fumam. Apesar de ser a 10º capital do país em número de fumantes, a cidade é a primeira do Nordeste no ranking do Ministério da Saúde.
Dados da pesquisa Vigitel 2014, divulgados na semana passada, mostram que a líder é Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A cidade do Nordeste mais próxima do Recife na lista é João Pessoa, na Paraíba, onde 8,4% da população se declara fumante. Em Pernambuco, a quantidade de fumantes caiu 20% desde 2009, mas o estado também amarga uma posição difícil nessa corrida. É o segundo no Brasil com a maior quantidade de fumantes passivos em ambientes fechados de trabalho.
Na data em que é celebrado o Dia Mundial sem Tabaco, os especialistas comemoram a redução na quantidade de fumantes, mas fazem o alerta para a necessidade de aumento de campanhas direcionadas a jovens. O designer e projetista Maxwell Pereira, 24 anos, deu o primeiro trago pela primeira vez há 10 anos, no início da adolescência. Ele chegou a parar durante três anos, mas aos 21 descobriu o narguilé e, com o passar do tempo, retomou a prática.
“Era casado e depois da minha separação aumentei a intensidade e a frequência dos cigarros. Ligo muito à minha ansiedade e ao hábito, pois sempre fumo quando estou andando para ir à faculdade e sinto falta se não fizer.”
Maxwell não está errado. Segundo a técnica do programa de tabagismo da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Graça Maciel, o tabagismo é uma dependência em três níveis: psicológica, pela nicotina e também pelo condicionamento, quando a pessoa liga o cigarro a outras atividades diárias. “Trabalhamos nas unidades de saúde com o tratamento, e também com a prevenção nas escolas, com alunos e professores.”
Para o pneumologista do Real Hospital Português e professor da UFPE, Blancard Torres, reforçar as campanhas com os jovens é determinante. “As pessoas deixam de fumar porque doenças graves começam a aparecer. O fumante começa a querer recuperação depois dos 40 anos, mas a experimentação, na juventude, permanece sem atenção.” Segundo ele, o tabagismo afeta a performace cognitiva de crianças e adolescentes. Um fumante tem uma expectativa de vida 10 anos menor.