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Exposição exalta parto normal

“Sentidos do nascer” reúne instalações e recursos multimídia na Praça Tiradentes a partir de amanhã, com o objetivo de promover um debate sobre a ‘epidemia de cesarianas no Brasil

Eduardo Vanini

Cerca de 92% dos partos feitos na rede particular do Rio são cesarianas. No sistema público, a taxa é 34% nas unidades municipais e 36% nas estaduais, enquanto a média total na cidade é 57%, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. Levando-se em conta que a Organização Mundial de Saúde recomenda que esse índice não passe de 15%, fica claro que os cariocas têm muito a conversar sobre o tema. Para impulsionar o debate, quem cruzar a Praça Tiradentes, no Centro, a partir de amanhã, vai se deparar com a exposição “Sentidos do Nascer’,’ que reúne instalações, fotografias e atividades multimídia, num esforço para desmitificar o parto normal.

No Brasil como um todo, o índice de cesarianas é alto: 56,7%, sendo que nos hospitais particulares a taxa supera os 70%. O quadro, que já foi classificado como “epidemia de cesarianas’,’ fez com que o próprio governo brasileiro tomasse providências. No início deste ano, por exemplo, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar criaram uma resolução para pressionar as operadoras a fiscalizarem mais hospitais e médicos para diminuir a quantidade de partos cesáreos feitos por planos de saúde no Brasil.

Fruto de uma parceria entre a Secretaria municipal de Saúde de Belo Horizonte e a Universidade Federal de Minas Gerais, a mostra foi lançada em março deste ano na capital mineira e atraiu mais de 11.600 pessoas. O Rio de Janeiro é a segunda cidade do país a recebê-la.

Para uma das organizadoras, a epidemiologista e coordenadora da Comissão Perinatal da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Sônia Lansky, é preciso mudar a forma como se nasce no Brasil, e a exposição é um bom caminho para isso:

– Montamos uma estrutura lúdica e instigante. É uma forma de atrairmos o interesse do grande público. Não é dirigida somente a mulheres e gestantes.

Desejamos que todo mundo se aproprie dessa discussão, tomando conhecimento sobre os prejuízos que o excesso de cesarianas causa à mulher e ao bebê.

PÚBLICO PODERÁ ‘NASCER DE NOVO’

Dividida em setores, a exposição conduz os participantes por ambientes que mostrarão cada etapa da gestação. Entre as atrações, há uma tela de realidade virtual, por meio da qual homens e mulheres podem experimentar a sensação de ver suas barrigas crescerem. Já o “Mercado do Nascimento” aborda de forma irônica o tratamento do parto como um negócio. No final do circuito, o público é convidado a “nascer de novo’,’ ao passar por espaços que simulam o colo do útero e o canal vaginal.

Para Sônia, a exposição chega em um momento muito oportuno:

– Enfrentamos uma grande crise da atenção obstétrica e neonatal, em função do paradoxo de viver uma intensa medicalização do parto e, no entanto, não atendermos aos patamares desejados de mortalidade materna e infantil. Isso é um grande desafio, pois sofremos com a hipermedicalização do parto, produzindo efeitos evitáveis.

Para a passagem da exposição pelo Rio, será montada uma tenda extra em que o público poderá conhecer o que a cidade oferece para as mães que optarem pelo parto normal.

– É o caso de todas as dez maternidades municipais terem enfermeiras obstétricas e serem equipadas com tecnologias não farmacológicas, como água moma e aromaterapia para aliviar as dores e a tensão do parto – menciona a superintendente de hospitais pediátricos e maternidades da secretaria de saúde da cidade, Carla Brasil.

A vinda da exposição ao Rio é uma promoção da Secretaria municipal de Saúde. A visitação é gratuita e poderá ser feita de segunda-feira a sábado, das 10h às 18h, até o próximo dia 26. A mostra também vai passar por Niterói, entre 1º e 31 de agosto, e Brasília, de 1º a 30 de novembro.