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Vagas apenas para parto de emergência

SAÚDE PÚBLICA Devido à superlotação, Maternidade Barros Lima, na Zona Norte do Recife, só interna mulheres sem condições de serem transferidas para outras unidades

A Maternidade Professor Barros Lima, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife, só está internando mulheres em avançado trabalho de parto, até resolver o problema da superlotação. A direção solicitou à Regulação Estadual que não realizasse encaminhamentos para a unidade. Os casos menos grave passarão por triagem e serão transferidos para outros hospitais. Ontem, o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) realizou vistoria no local e constatou condições degradantes para grávidas e puérperas (que tiveram filhos recentemente).

Todos os leitos estavam ocupados. Na sala de pré-parto (destinada somente a gestantes), havia 24 pessoas, dentre as quais 21 eram puérperas. Esta área conta apenas com sete leitos. As mulheres se acomodavam de qualquer jeito, em macas, cadeiras de plástico ou poltronas, espalhadas pelos corredores e dependências. “Minha nora está esperando para parir em uma poltrona, na sala de pré-parto, porque não há cama. Ela está na sala lotada desde terça-feira”, afirma a doméstica Geane Pereira, 54 anos.

“A superlotação é uma constante na Barros Lima porque as outras maternidades do Recife enfrentam problemas com falta de pessoal. A Arnaldo Marques, no Ibura (Zona Sul), por exemplo, está praticamente fechada porque não há médicos. A Bandeira Filho, em Afogados (Zona Oeste), também tem déficit no quadro. Hoje (ontem), constatamos que o local corria o risco de entrar em colapso. Encontrei até uma mulher puérpera sentada no chão, porque não havia cadeira”, afirma o presidente do Cremepe, Sílvio Rodrigues.

A situação foi denunciada pelo Sindicato dos Médicos do Estado (Simepe), que também exige a convocação de obstetras, neonatologistas e anestesistas aprovados em concurso realizado no início deste ano. “A contratação de novos médicos pode ajudar a reduzir a superlotação. A escala da Barros Lima estava completa, mas isso não ocorre em outras unidades de saúde. Se os centros estiverem fechados, as gestantes vão ter que rodar à procura de um lugar para parir, passar por sofrimento e penúria”, comenta o vice-presidente do Simepe, Tadeu Calheiros.

A Barros Lima conta com oito enfermarias, cada uma com seis leitos. Na sala de parto, há sete leitos. São realizados cerca de 400 partos por mês. A direção da unidade afirma que tomou a decisão de internar apenas pacientes sem condição de transferência na quarta-feira à noite. A gestão avalia que a superlotação se deve, principalmente, ao atendimento a mulheres de municípios vizinhos, que correspondem a 35% das pacientes