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Hospital sem verba até para papel higiênico

SAÚDE No Barão de Lucena, terceirizados estão sem pagamento, remédios, em falta, obras, paradas, e consultas foram reduzidas

A crise que atinge os hospitais públicos de Pernambuco chegou de forma intensa ao Hospital Barão de Lucena, na Iputinga, Zona Oeste do Recife. Cenário frequente de superlotação, a unidade enfrenta agora, segundo o conselho gestor, falta de pagamento dos funcionários terceirizados da limpeza e vigilância, falta de medicamentos e insumos para realização de exames, obras paradas e poucas vagas para consultas. Ontem, um grupo de servidores e pacientes deu um abraço simbólico no hospital para denunciar a situação e cobrar solução do governo do Estado.

Segundo o coordenador do conselho, Jorge Gomes, todos os empregados da empresa responsável pela limpeza foram demitidos ontem (são 386 pessoas, diz ele). “Estamos comprando papel higiênico porque não tem no hospital. Eu já lavei o banheiro várias vezes. É uma sujeira. O dinheiro que deveria usar para lanche estou gastando com material de limpeza, pois não quero correr risco de ver minha filha com uma infecção”, comentou a dona de casa Ivoneide Silva. Moradora de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, ela está há três semanas acompanhando a filha que teve uma trombose.

Motoristas das ambulâncias de duas empresas terceirizadas (Adlim e Higiene) estão com sem receber salários há dois meses. O mesmo está acontecendo com os funcionários da vigilância (Rima), que já somam três meses sem dinheiro. “Em vez de 11 pessoas trabalhando por dia para garantir a segurança, estamos com três ou quatro. A situação é muito crítica. Tem muito pai de família desesperado, sem saber o que fazer com três meses sem salário. Meu sogro está bancando a feira lá em casa, enquanto não recebo”, comentou um vigilante que não quis se identificar com medo de ser demitido.

Jorge Gomes informa que os elevadores estão constantemente com defeito. “A construção de novos espaços para elevadores está parada desde março do ano passado. Outro problema é o esgoto a céu aberto. O tempo de espera das consultas, que deveria ser de no máximo 30 dias, tem chegado a até 120 dias. Cirurgias na área de proctologia, por exemplo, estão há oito meses sem novas vagas”, denuncia o coordenador do conselho gestor.

PROVIDÊNCIAS

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou, por meio de nota, “que não tem medido esforços para regularizar os repasses às empresas terceirizadas que prestam serviço à rede estadual e vem mantendo diálogo com os servidores para que a situação seja resolvida de forma responsável, sem prejudicar os usuários do Sistema Único de Saúde”. Segundo a secretaria, o cronograma da obra dos elevadores está sendo readequado por causa da crise econômica.

A direção do Barão de Lucena disse que está remanejando profissionais do setor de serviços gerais para conseguir manter a limpeza da unidade. Informou que a falta de remédios é pontual e que estão sendo agilizados os trâmites para regularização. A marcação de consultas, garantiu a direção, ocorre normalmente, assim como a realização de exames.