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Poucos hospitais habilitados para ensino de medicina no interior

A radiografia das escolas médicas do Brasil divulgada nesta terça-feira (25/08) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que mostra um aumento de cursos privados, deixou as escolas pernambucanas em situação mediana, dentro do conceito suficiente. O fato preocupante é a rede disponível para a formação prática no interior, conforme análise dos parâmetros avaliados. Faltam hospitais habilitados para ensino em Garanhuns, Caruaru e Serra Talhada, onde foram instalados novos cursos de universidades públicas. Petrolina aparece na mesma lista, mas o Hospital de Traumas passou a ser vinculado à Universidade Federal do Vale de São Francisco (Univasf), que oferece o curso médico. Na análise, o CFM avaliou não só a existência de hospitais formadores, como também a quantidade de equipes de saúde da família disponíveis e leitos hospitalares. Usou ainda o conceito dado pelo próprio MEC: média 3 para as tradicionais Faculdade de Ciências Médicas (UPE) do Recife, Medicina da UFPE e a Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), também na capital, dois pontos abaixo da maior alcançada, 5. As demais escolas pernambucanas ainda não foram avaliadas pelo governo ou não tiveram o conceito divulgado. Há cursos da UPE em Garanhuns e Serra Talhada e da UFPE em Caruaru, além dos privados recém-criados na Capital (Maurício de Nassau e Unicap). Um novo curso privado foi autorizado para Jaboatão dos Guararapes.

Principais conclusões do CFM sobre as escolas médicas do Brasil:

. Do início de 2003 a 2015, a quantidade de cursos particulares de Medicina no Brasil mais do que dobrou em relação ao ritmo de abertura de estabelecimentos públicos.
. O número de escolas privadas passou de 64 para 154, enquanto no mesmo período as unidades de gestão estatal subiram de 62 para 103.
. Em números totais, o volume de escolas médicas no Brasil também mais que dobrou. O volume saltou de 126 cursos (públicos e privados) para os atuais 257, que respondem pelo preparo de 23 mil novos médicos todos os anos.
. Do total de 257 cursos em atividade no país, 69% estão nas Regiões Sudeste e Nordeste.
. As escolas estão distribuídas em 157 cidades brasileiras, sendo que a maioria (55%) dos cursos tem sede em apenas 45 municípios.
. Os estados de São Paulo e Minas Gerais concentram um terço das instituições. Entre as particulares, o valor médio das mensalidades nos cursos particulares está em R$ 5.406,91. Contudo é possível encontrar mensalidades que vão desde R$ 3.014,00 a R$ 11.706,15.

.No último mês (julho), 36 municípios foram considerados aptos para receber novos cursos, sendo que 32 (89%) delas estão concentradas nos seis estados com maior número de escolas.

. Com os últimos editais do Governo Federal, a estimativa é o País chegar ao número de 315 instituições até o final de 2016, caso todas passem efetivamente a funcionar;
. Entre 2013 e julho de 2015, 42 municípios receberam novas escolas. 60% destes municípios não atendem à exigência de no mínimo cinco leitos por aluno e 18 destes não respeitam a proporção ideal de até três alunos por Equipe de Saúde da Família (ESF).
. Das 157 cidades com escolas médicas no país, 74 não dispõem de leitos em quantidade necessária por aluno e 68 não atendem a proporção ideal de alunos por ESF.
. Atualmente existem 200 Hospitais de Ensino (HE) habilitados no País. Dos 36 novos cursos autorizados em julho, apenas seis possuem ou estão inseridos em Regiões de Saúde que possuem um HE.
. Dos 157 municípios que atualmente têm escolas médicas, 88 não possuem nenhum hospital habilitado. Nestas cidades, são firmados convênios com instituições “com potencial para hospital de ensino”.