Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

A arte de ser feliz ajudando o próximo

Ao contrário do que se imagina, o voluntariado é uma via e mão dupla. O bem que essas pessoas praticam também as ajuda a superar os próprios problemas. Seja como um professor de dança ou arrecadador de brinquedos, são várias as formas de dar assistência. Na Capital pernambucana, o programa Transforma Recife, que convoca organizações sociais e oferta vagas de trabalho voluntário, é uma alternativa para quem quer participar de trabalhos solidários. Atualmente, 40 ONGs participam do esforço de dez mil vagas estão disponíveis, segundo o coordenador da iniciativa, Fábio Silva. “A plataforma possibilita que você se identifique com os diversos trabalhos a realizar. E levar sua experiência. Por exemplo, se você trabalha com marcenaria, poderá consertar algo. Se é designer, pode realizar um projeto gráfico”, explicou.

No Hospital do Câncer de Pernambuco (HCP), os relatos chegam a impressionar. É o caso da aposentada Maria Israel, 65, que resolveu ajudar as pessoas depois que viu uma irmã se recuperar de um princípio de depressão por conta da morte do marido. A irmã de Maria encontrou no voluntariado forças para enfrentar a vida sozinha e essa recuperação inspirou a família. No total, quatro irmãs se tornaram voluntárias.

“E nossa vida mudou desde então. Cada dia mais dá vontade de estar aqui. Prefiro estar no hospital a ir para uma festa, porque sendo voluntária estou ajudando ao próximo. Faço por amor, com carinho e dedicação”, ressaltou. O psicólogo e contador Edson Tabosa, 77, reencontrou a felicidade no HCP. Há mais de um ano, vinha alimentando a vontade de ajudar os pacientes do hospital. Ele confessa que também está sendo ajudado. “Umas das minhas alegrias é hoje estar aqui no Hospital do Câncer. Isso foi um desejo concretizado. Creio que seja a nossa maior missão na Terra, ser útil ao outro, à sociedade”, afirmou.

“Fazemos orações, agradecemos e pedimos juntos. A gente dá força e recebe muito mais. O trabalho voluntário acrescenta na minha vida a cada dia que eu venho aqui. Vejo a grande oportunidade de ser uma pessoa melhor”, contou dona de casa Fabiola, 48.

No caso do Instituto Viva História, uma associação sem fins lucrativos que objetiva treinar e capacitar pessoas para realizar atividades na área cultural, educacional e artística, é por meio da leitura que os 135 voluntários transformam a vida de crianças e adolescentes, em sete unidades de saúde. A autônoma Vilany Bezerra, 48 anos, é um exemplo. Desde 2013 com a missão de, uma vez por semana, contar histórias infantis para os pequenos na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), na Ilha de Joana Bezerra, área Central do Recife, ela acredita que o vazio da alma é preenchido pelo voluntariado. “Quando me afasto, sinto muita falta. É algo que dá sentido à vida, além de trazer equilíbrio emocional”, disse.

As crianças se aglomeram nos corredores da AACD em torno dos voluntários e, aos poucos, cada um arranja um lugar para ouvir as histórias, contadas muitas vezes pela militar aposentada do Exército, Marcolina Maria da Silva, 52, que também é voluntária do instituto. “Passei 30 anos na área militar e não tinha tempo para nada e nem para os meus filhos. Descobri em que lugar posso distribuir amor e carinho”, comentou Marcolina. Apesar de não receber nada em troca, ela afirmou que o salário no fim do mês é ver crianças felizes como trabalho realizado. “Estou doando o tempo que tenho para ajudar a quem precisa. E isso não tem preço.”