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Cinco hospitais têm serviços comprometidos

Crise orçamentária na saúde estadual gera redução ou fechamento de leitos de UTI. Nesta semana, Hospital Miguel Arraes desativou nove leitos

Desde o começo do ano, a média diária de pessoas esperando por um leito de UTI no estado dobrou. Mesmo assim, empurradas por problemas na estrutura física e também pela crise orçamentária, algumas unidades hospitalares começaram a andar na contramão da necessidade dos doentes urgentes. Pelo menos cinco hospitais reduziram os leitos ou fecharam completamente as terapias intensivas. A situação é investigada pelo Ministério Público.

Nesta semana, o Hospital Miguel Arraes, em Paulista, fechou nove leitos da UTI 3. Isso significa manter cerca de um em cada três leitos de terapia intensiva da unidade desativados. A UTI 2 do Hospital Getulio Vargas permanece fechada há pelo menos três meses. “Estamos lá e vemos a situação todo dia. Eles fecharam por falta de dinheiro para manter os profissionais e a manutenção”, contou o membro da Associação Pernambucana de Médicos Residentes (APMR) e residente do HGV Mauriston Martins.

No último domingo, o plantão das UTIs do Hospital Barão de Lucena, na Zona Oeste do Recife, só pode abrir 13 dos 20 leitos disponíveis por falta de técnicos de enfermagem. Situação semelhante ocorre na UTI coronariana do Hospital Agamenon Magalhães, na Zona Norte.

Na segunda-feira, o Pelópidas Silveira também fechou os leitos da UTI neurológica. Segundo a unidade, a interrupção nos serviços não tem a ver com a crise financeira, mas com um vazamento do duto de ar condicionado. A obra começou deve ser em até 90 dias.

Ontem, cerca de 121 pessoas esperavam por uma UTI em Pernambuco. O número total reduziu no fim da tarde para 107. “A lista normalmente era de 45 a 50 por dia. Desde o começo do ano, não saímos da média de 100 diariamente”, ressaltou o coordenador da ouvidoria da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), Carlos Freitas.

Enquanto isso, pacientes se acumulam nas emergências. “Eles precisam de aparelhos de ventilação mecânica, drogas vasoativas, hemodiálise. A não admissão na UTI aumenta o índice de óbitos”, lembra o presidente do Conselho Regional de Medicina Silvio Rodrigues. O órgão estuda entrar com ação civil pública contra o estado e o governo federal.

Na sexta-feira haverá audiência no MPPE para discutir os cortes na saúde. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que todos os esforços são no sentido de garantir a manutenção da rede de assistência do SUS em Pernambuco e que a terapia intensiva é prioridade. O órgão ressaltou que, atualmente, contratualiza todos os leitos disponíveis nas redes privada e filantrópica. A direção do HMA informou que vem dialogando permanentemente com a secretaria, visando a regularização dos repasses para a unidade.