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Padecer em busca da maternidade

CAMARAGIBE Após fechamento da Maternidade Amiga da Família, que passa por readequações, gestantes sofrem para conseguir vagas em outros hospitais do Estado

Será reaberta na primeira semana de outubro a Maternidade Amiga da Família, a única do município de Camaragibe. O equipamento ficou nove meses fechado para passar por readequações. Nesse período, várias grávidas enfrentaram dificuldades para parir ou encontrar atendimento médico, tendo que disputar fichas em postos de saúde ou deslocar-se para outras cidades. A reforma está na fase final e, após concluída, deve ampliar a capacidade e oferecer serviço de melhor qualidade, com equipamentos novos.

“Só falta concluir as obras no piso térreo. Os outros dois andares já estão praticamente prontos. Os equipamentos novos já chegaram e os funcionários estão arrumando o espaço. A Apevisa (Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária) acompanhou a intervenção para que tudo saísse do jeito programado”, afirma o secretário municipal de Saúde, Ricardo Alexandre.

Após a conclusão da reforma, o próximo passo será a construção do prédio anexo que abrigará o Centro de Parto Normal (CPN), ainda em processo de licitação. ” Inicialmente, iríamos colocar o centro de parto dentro do hospital. Depois, concordamos em criar o anexo, por isso o processo de licitação atrasou. A construção começou em junho e terminará no prazo previsto, que é de três meses”, relata o secretário Ricardo Alexandre.

Segundo a gestão, a unidade oferecerá mais leitos. “A reforma vai nos permitir a ampliação dos serviços prestados. Contamos com cinco berços aquecidos, seis incubadoras e, agora, capacidade para até quarenta leitos, superando os vinte e sete leitos ofertados antes da intervenção”, afirmou o prefeito Jorge Alexandre.

A maternidade apresentava problemas na Central de Material Esterilizado (CME), na sala de repouso pós-cirurgia e bloco cirúrgico. Em dezembro do ano passado, a Apevisa e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) fizeram uma vistoria no local e indicaram uma série de irregularidades. O prazo para a conclusão da reforma era de três meses. Antes do fechamento, com a escala médica completa, o centro tinha capacidade para realizar até 190 partos e mais de 500 procedimentos por mês. Mas como operava com poucos profissionais, o número era reduzido para 30 partos e 200 procedimentos mensais.

Apesar da proximidade da reabertura, ter filhos no município continua sendo um grande desafio, por causa da falta de um centro de atendimento especializado. O pré-natal é feito em postos de saúde, com apoio de unidades médicas da cidade. A cozinheira Vanessa Mangueira, 30 anos, passou quatro horas esperando para fazer ultrassom no Centro de Especialidades Antônio Luiz de Souza, quando estava grávida de três meses. Como é hipertensa, teve que realizar o pré-natal no Barão de Lucena, no Recife. A dona de casa Maria do Carmo Vicente, 34, precisou pagar R$ 80 por uma ultrassonografia em clínicas particulares. “Os postos de saúde oferecem quatro fichas por dia. É preciso chegar cedo, mas nem sempre conseguia”, relata.

O jeito era procurar ajuda em outros municípios, como foi o caso da filha da dona de casa Luciene Rocha, 55 anos. Apesar de morar a cem metros da Maternidade Amiga da Família, o bebê, hoje com três meses, nasceu no Hospital das Clínicas (HC), na Zona Oeste do Recife. “A gravidez da minha filha era de risco. Moramos tão perto do hospital, mas nunca conseguimos apoio lá. Acompanhava ela de ônibus até o HC. Um dia, durante um exame de rotina, descobriram que meu neto estava enlaçado. Fizeram cesária no mesmo dia. Fico com medo quando imagino o que teria acontecido se ela estivesse em Camaragibe, onde não há emergência obstétrica”, desabafa Luciene.

O fechamento da maternidade também trouxe problemas para os moradores e comerciantes das proximidades. A fachada pichada e o lixo na frente da unidade davam a eles a sensação de abandono. “Isso prejudicou até o comércio. O quiosque da minha prima fica em frente à maternidade e perdeu 90% da clientela por causa da interdição. Outras barraquinhas fecharam”, lamenta o eletricista Antônio Bento, 44, que mora nas proximidades da unidade de saúde, na Rua Nossa Senhora da Conceição. “Acontecem assaltos o tempo todo agora, porque o movimento é bem menor. A maternidade dava vida a este local.”