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Pacientes aguardam cirurgia de Parkinson

Procedimento que melhora qualidade de vida de quem sofre com a doença deixou de ser realizado por falta de recursos. Vinte e cinco pessoas aguardam na fila

A professora aposentada Rosa Maria Soares, 70, conversava com a filha quando percebeu a mão começar a tremer. O sintoma despertou o alerta e uma consulta médica confirmou o diagnóstico de mal de Parkinson. A doença progrediu, impedindo Rosa até de amarrar o cadarço dos sapatos. Além de se ver obrigada a parar de trabalhar, viu a autoestima desaparecer. Há um ano, depois de se submeter a uma cirurgia, conseguiu retomar a autonomia para as atividades básicas.

Rosa foi uma das 25 pacientes que fizeram a cirurgia no Hospital das Clínicas, vinculado à UFPE, nos últimos dois anos. Outros 25 compõem uma lista de espera. Há 10 meses, entretanto, o hospital deixou de comprar os kits de materiais para fazer os dois tipos de procedimentos – estimulação cerebral e ablação.  Neste ano, cinco cirurgias foram realizadas, com equipamentos que sobraram dos disponibilizados no ano passado.  A última ocorreu em abril.

O mal de Parkinson ainda não tem cura, mas a cirurgia pode minimizar alguns sintomas como os tremores e rigidez no corpo, além de reduzir as doses de medicamentos. “Eu não conseguia mais andar, passar a toalha nas costas ou lavar um copo. Hoje, voltei a realizar parte dessas atividades. Até a minha expressão facial mudou”, afirmou Rosa.

Os procedimentos não são indicados para todos os pacientes. Geralmente, quem pode fazer são aqueles com uma média de cinco a dez anos de doença, sem efeitos secundários dos remédios e problemas cognitivos. “Se os sintomas evoluírem, o paciente pode sair do protocolo de indicação. É uma corrida contra o tempo”, alerta o neurocirurgião do grupo Pró-Parkinson do HC, Antônio Marco Albuquerque.

Enquanto aguardam um posicionamento, alguns pacientes tentam recorrer à Justiça. Um deles é o aposentado Carlos Freitas, 62, que descobriu o Parkinson há seis anos. Até então, Carlos era taxista e atleta de fim de semana. “Nunca imaginei desenvolver o Parkinson. Jogava bola e andava de bicicleta com frequência. Parei tudo isso, sou escravo da doença. Não tenho liberdade para dirigir nem uso mais sapatos.”

Em nota, o hospital afirmou que nenhuma unidade pública de saúde do Recife realiza a cirurgia porque ela não é coberta pelo SUS. O hospital disse que fazia o procedimento, de forma pontual, com recursos financeiros próprios. Cada cirurgia custa em torno de R$ 200 mil e, em função da crise, a unidade tirou o a operação do rol de serviços oferecidos.