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Por uma emergência psiquiátrica no Recife

A criação de uma emergência psiquiátrica municipal no Recife foi cobrada ontem durante audiência pública na Câmara de Vereadores. A cobrança foi motivada após famílias de pacientes psiquiátricos relatarem não ter onde buscar ajuda para os parentes em surto. Também foi debatida a necessidade de ampliação dos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPs). A cidade tem 17 dessas unidades, sendo que apenas quatro deles têm atendimento dia e noite. A audiência foi proposta pela vereadora Vera Lopes (PPS).

“A tendência é que o Hospital Ulysses Pernambucano, que é a única emergência psiquiátrica de Pernambuco, mas é de responsabilidade do Estado, seja progressivamente desativado. Dessa forma, precisamos pensar em uma emergência que atenda os pacientes do Recife, que não podem ficar sem assistência quando têm um surto”, justificou a vereadora. Ela argumentou que a Cidade tem poucos CAPs funcionando em horário integral e que está havendo desabastecimento de algumas drogas utilizadas pelos pacientes.
A denúncia de falta de remédio foi reforçada pela dona de casa Lícia Mascarenhas.

“Meu marido está precisando de um antidepressivo que não tem mais no posto. Se não chegar vou ter que comprar”, afirmou. Além da preocupação com a saúde do marido, o temor é que sem o remédio o marido possa ficar agressivo. “A família toda fica apreensiva. Se faltar a medicação ele pode ter um surto. E se isso acontecer a gente fica sem saber onde e como ele pode ser atendido de urgência”, desabafou.

A coordenadora de Saúde Mental do Recife, Telma Melo, confirmou a falta de um tipo de antidepressivo e um anticonvulsivo na rede. Segundo ela, o desabastecimento foi ocasionado por um problema jurídico na aquisição das drogas e a previsão é que nos próximos dias a situação seja regularizada.

Sobre a situação dos CAPs, a coordenadora confirmou que a Cidade precisa expandir a assistência. “Estamos buscando superar as contradições da nossa rede. De fato nós não temos um número suficiente de CAPs 24h. Hoje estamos com quatro, mas estamos prestes a inaugurar mais um no Distrito Sanitário 3. E até o final de 2016 a meta é chegarmos a oito serviços 24h”, disse.

A gestora destacou ainda que 70% dos imóveis onde a rede de saúde mental atende foi reformada. Contudo, disse, o Recife precisa correr para criar uma emergência psiquiátrica, mas já há um projeto de instalação do serviço na Policlínica Agamenon Magalhães, em Afogados. “O projeto arquitetônico está pronto e já há um concurso previsto para formação do corpo técnico de médicos e enfermeiros, mas temos uma previsão de operacionalizar até 2016”, informou.