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PE: 20 anos salvando corações

Pernambuco completa 20 anos de realização de transplantes cardíacos em 2015. A comemoração foi incrementada pela nova colocação nacional assumida pelo Estado: o 2ª lugar no ranking de transplantes de coração. O pódio é organizado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). De janeiro a agosto, 34 pacientes já receberam um órgão novo. O número é quase 200% maior do que as cirurgias realizadas durante o mesmo período do ano passado. O volume de procedimentos desse tipo no Estado cresceu bastante nas últimas duas décadas. Até os anos 1990 eram em média quatro cirurgias por ano, nos anos 2000 passou a sete e a partir de 2010 teve média de 19,8 transplantes.

Danilo Pereira da Silva, 27 nos, e Maria Gorette Braga, 61, orgulham-se de fazer parte dessa história. Saíram da fila, que atualmente tem sete pessoas. Em épocas diferentes, o jovem e a idosa vieram do medo, a esperança e a vitória de ter uma vida nova, um recomeço, graças às doações. Danilo, natural de Afogados da Ingazeira, no Sertão, hoje mostra orgulhoso a cicatriz que completou sete meses e toma quase todo o tórax. “É um troféu”, ressalta. Funcionário da construção civil, ele descobriu que tinha Doença de Chagas quando estava numa obra em Porto Alegre. Foi afastado do serviço para que voltasse ao Estado e iniciasse de urgência um tratamento.

“Meu coração acelerava demais. Sentia dor nas costas e muito inchaço. Só 20% dele estava funcionando, estava bem fraco”, conta. O quadro tirou a paz dele e da família, que viviam um clima de despedida. “Um médico de Afogados não deu nenhuma esperança para a gente. Disse até que comemorássemos muito o aniversário de Danilo porque aquele poderia ser o último”, relembra a esposa dele, Sheila Milene, 20. Como não encontrava mais alternativas na sua cidade, foi ao Recife em fevereiro para a inscrição na fila do transplante. O novo órgão chegou em uma semana depois. Do doador, o casal sabe que era um homem de 36 anos, a quem devem parte do milagre da vida.

O telefone tocou no dia 28 de março de 2014 para avisar a costureira e ex-freira Maria Gorette que um coração novo estava chegando. “Foi um dos dias mais felizes da minha vida. Fui o mais rápido possível para o hospital.” Com uma insuficiência cardíaca diagnosticada desde 2002, o quadro da costureira teve uma piora grande em 2012 e 2013. Não conseguia mais andar, a respiração ficava cada vez mais difícil, buscou forças na religiosidade até que o doador apareceu: um jovem de 25 anos. Gorette confidenciou várias dúvidas sobre o recebimento do órgão. “Fiquei imaginando se eu mudaria em algo ao receber o coração de um homem, ainda mais tão jovem. Fiquei na dúvida se meus sentimentos mudariam também. Hoje sei que a gente precisa do coração para viver, mas ama é com a cabeça”, brinca. A certeza maior dela é a gratidão. “Rezo todos os dias pela família do doador, que fez um ato de caridade.”