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Unidos por um momento único da amamentação

Mulheres que recebem ajuda da família têm mais condições de amamentar, como mostra a quinta reportagem da série. Amamentar é amar

Amamentar em livre demanda por pelo menos dois anos, como preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o sonho de toda mulher que reconhece no ato a forma mais concreta de garantir uma vida saudável ao filho. Obstáculos vêm e muitas mães abandonam o sonho no meio do caminho. Continuar, na maioria das vezes, vai além da força de vontade. Estudos mostram que mulheres amparadas por uma rede de apoio, desde os profissionais de saúde até vizinhos e parentes, têm mais chances de cumprir o recomendado.

O primeiro e um dos mais determinantes pontos de apoio está no seio familiar. Apesar de não ter a mesma predisposição fisiológica, o pai também amamenta, garantem os especialistas. “A amamentação é um processo que muda o cotidiano da vida da mulher. Então ela precisa de suporte da rede social e, dentro dela, o mais próximo é o pai. Mulheres que têm esse apoio conseguem amamentar por um tempo muito maior”, lembra a professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora em saúde da mulher Cleide Pontes.

A produção de leite materno depende, entre outras questões, da condição psicológica da mulher. Então, quanto maior o estresse provocado, menor será a quantidade de leite disponível. O pai pode ajudar criando um ambiente tranquilo dentro de casa, fazendo massagens, cuidando dos outros eventuais filhos, posicionando a criança junto com a mãe no seio, colocando a criança depois para dormir.

A bancária Ana Paula Oliveira, 35 anos, não consegue dissociar a maternidade da presença do marido, o consultor Leandro Trajano, 32. Ele divide a tarefa de criar o filho de 4 meses. Participou das reuniões de grupo, sugeriu e apoiou a decisão da mulher de parto domiciliar e está presente também no aleitar.

“Sei que a demanda é grande para a mulher. Os primeiros meses são muito difíceis, ninguém fala muito. Então temos que reforçar inclusive a importância do aleitamento, para ela não desistir. É um apoio psicológico e estrutural. Estamos aprendendo a ser pais juntos”, comenta Leandro. A participação do marido “passa muita segurança”, ressalta Ana Paula.

Por outro lado, o apoio da sociedade para empoderar esse pai também é fundamental, explica Cleide Pontes. “Ele precisa se munir de informações. Muitas vezes, esse homem nem é liberado para participar das consultas de pré-natal.” Em Pernambuco, nove entre cada 10 homens despertam interesse em participar do momento com as companheiras, mas apenas 45% deles vão às consultas e menos de um em cada 10 recebem as orientações.