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Caos na saúde

Dois fatos marcantes nos últimos dias ilustram a situação caótica da saúde no País. No plano estadual, a carta aberta do Imip é um documento dos efeitos da crise – que culminam na incapacidade de gerenciamento das unidades sob a responsabilidade da instituição, em decorrência do atraso de pagamentos por parte do governo federal e do governo de Pernambuco. No plano nacional, a demissão por telefone do ministro Arthur Chioro é indicativo claro das causas, mais um sintoma do modelo de governar instalado no Palácio do Planalto.

Para demonstrar o grau de profissionalismo do partido que se posta à sombra da crise para auferir ganhos, um dos nomes cogitados no PMDB para novo ministro da pasta que detém o maior orçamento entre os ministérios é o do deputado federal Manoel Júnior, da Paraíba, que chegou a sugerir a renúncia da presidente Dilma Rousseff, dias atrás. Além disso, o deputado paraibano teve a campanha financiada por laboratórios e planos de saúde. Sua nomeação, se confirmada depois das barganhas institucionalizadas pelo governo Dilma, pode representar a escolha pelo enfraquecimento ainda maior do Sistema Único de Saúde (SUS), em detrimento de interesses privados.

Por sua vez, a crise no Imip é um capítulo da falência do SUS. Com déficit de quase R$ 70 milhões até julho, o Imip solicita repasses atrasados para não paralisar atividades nos hospitais e UPAs que gerencia. O vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Tadeu Calheiros, afirmou não se mostrar surpreso com o problema. “A crise só evidencia o caos já existente no sistema de saúde, e só se resolverá com uma política adequada de financiamento”, disse Calheiros. Segundo ele, as queixas chegam diariamente ao sindicato, tratando de atraso salarial, falta de remédios e de material básico de trabalho, num quadro que atinge todas as esferas da administração pública.

Uma nota oficial da Secretaria Estadual de Saúde apenas confirmou a difícil situação das instituições parceiras do SUS em Pernambuco, sem sinalizar para soluções, paliativas que sejam. A nota, burocraticamente, se compromete a “criar saídas” para o momento, menciona “a realidade da saúde em todo o País” e afirma que “vem dialogando para pactuar um cronograma de regularização dos repasses”. A conclusão da nota do Governo de Pernambuco aponta a necessidade de discussão do modelo de financiamento do setor diante da falta de recursos do SUS, repetindo o que parece consensual entre médicos, gestores e governantes.

O atendimento precário, depois de uma longa espera, demanda o acompanhamento através de procedimentos e remédios, em muitos casos, indisponíveis. A população sofre duas vezes, pela doença no corpo e pela doença política que transformou a saúde no Brasil em balcão de negócios, sem o menor compromisso com a prestação de um serviço básico, nem um pingo de sensibilidade para tratar a questão caótica com a urgência que merece.