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O dia D da reforma

Pouco mais de um mês depois de anunciar a intenção de reduzir 10 ministérios para cortar gastos, a presidente Dilma Rousseff anuncia hoje, ao lado do vice-presidente Michel Temer, o novo formato da Esplanada, que perderá nove pastas. A posse de todos os novos ministros está marcada para a terça-feira.

Após adiar a viagem a Barreiras (BA) ontem, Dilma não quis correr o risco de ter cancelar a visita de Estado à Colômbia, na segunda-feira, e aceitou a indicação do deputado Celso Pansera (PMDB-RJ) para o Ministério da Ciência e Tecnologia, fechando a última ponta que faltava para concluir as negociações com o PMDB. Pansera é aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Esta não era a intenção da presidente, que chegou a oferecer o cargo a Eliseu Padilha (que permanece na Aviação Civil), por acreditar que era preciso um nome com “mais peso político ou mais afinidade com o setor” para assumir o ministério. Mas, diante da necessidade de fechar a equação, ela cedeu ao pragmatismo, bateu o martelo por Pansera, deixou Padilha no mesmo lugar, levou Helder Barbalho para Portos e escolheu Marcelo Castro (PI) para a Saúde.

“Não dava para ela escolher um ministro (Manoel Júnior) que tinha dado entrevistas, há um mês, contra a CPMF e defendendo a renúncia da presidente”, disse um importante interlocutor de Dilma. Além de tudo, Manoel Júnior, como mostrou o Correio, foi citado na CPI da Pistolagem de 2005.

De acordo com um dos negociadores da reforma dentro do PMDB, havia uma resistência grande entre os cotados para ir para Ciência e Tecnologia devido à pressão da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Nesta semana, a entidade divulgou um manifesto, em conjunto com outras nove instituições, criticando a mudança. “O Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação não suporta mais alterações frequentes na gestão do ministério, com repercussões em programas e políticas estratégicas”, diz o texto.

Ontem, foi mais um longo dia de negociações. Dilma e Temer reuniram-se no fim da manhã para chegar a um denominador comum. Mais cedo, o vice-presidente encontrara-se com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que voltou a defender o desembarque do PMDB do governo. Essa não era e nem nunca foi a intenção de Temer. Mas ele alertou à presidente. “A senhora tem de ter muito cuidado nos movimentos que vai tomar, para não desagradar esse ou aquele grupo”, aconselhou.

Depois de conversar com Temer, Dilma almoçou no Palácio da Alvorada com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir os ajustes nas mudanças de cargos. Também estiveram presentes no encontro no Palácio da Alvorada o presidente do PT, Rui Falcão, os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Edinho Silva (Secretaria de Comunicação da Presidência), Jaques Wagner (Defesa) e o assessor especial da Presidência Giles Azevedo. “Espero que essa nova coalizão que está sendo montada sirva para resolver a crise política e econômica”, disse Lula, segundo relato de alguns dos presentes.

CGU fica

Dilma teve que ceder em vários pontos ao longo das negociações. Além de entregar o Ministério da Saúde para o PMDB – talvez o ponto mais doído para os petistas -, ela foi obrigada a deslocar Aloizio Mercadante para o Ministério da Educação, trazendo Jaques Wagner para a Casa Civil. Para o lugar do petista baiano, na Defesa, vai Aldo Rebelo. Apesar da imagem de seriedade, integrantes das Forças Armadas admitem um certo constrangimento com o novo ministro. Além de comunista, ele vem do PCdoB, legenda que organizou a Guerrilha do Araguaia no início da década de 1970. A troca já vinha sendo negociada com o ex-presidente Lula, na sede do instituto dele, em São Paulo, desde o início da semana.

A presidente, contudo, bateu o pé e manteve o PDT na Esplanada, dando o Ministério das Comunicações para o deputado André Figueiredo (CE). O nome do pedetista sofria resistências do líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, também do Ceará, devido a proximidade do deputado com a família Gomes (Ciro e Cid Gomes, inimigos políticos de Eunício). À noite, a presidente reuniu-se com o presidente do partido, Carlos Lupi, e André Figueiredo, para formalizar o convite.

O governo também deve refluir da decisão de tirar o status – e promover um desmembramento – na Controladoria-Geral da União. A medida foi duramente criticada ao longo de toda semana por especialistas e servidores. Com uma semana de atraso, o governo concluiu que “o país avançou muito na questão da transparência e a CGU é fruto dessa evolução”, disse um aliado da presidente.

Saindo do forno

A nova equipe ministerial que Dilma deve anunciar na manhã de hoje

Ministérios do PMDB

Agricultura

Kátia Abreu

Minas e Energia

Eduardo Braga

Portos

Helder Barbalho

Saúde

Marcelo Castro

Ciência e Tecnologia

Celso Pansera

Aviação Civil

Eliseu Padilha

Turismo

Henrique Eduardo Alves

Ministérios do PT

Secretaria de Governo*

Ricardo Berzoini

Casa Civil

Jaques Wagner

Educação

Aloizio Mercadante

Cidadania**

Cotadas as deputadas

Benedita da Silva (PT-RJ)

e Moema Gramacho (PT-BA)

Social***

Carlos Gabbas

Ministério do PCdoB

Defesa

Aldo Rebelo

Ministério do PDT

Comunicações

André Figueiredo

* Fusão da Secretaria-Geral, Secretaria de Relações Institucionais, Gabinete de Segurança Institucional e Micro e Pequena Empresa

**  Fusão de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Política para Mulheres

*** Fusão do Trabalho, Previdência Social e Desenvolvimento Social