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Volta ao trabalho não é o fim do aleitamento

Trabalhar dois expedientes e manter a rotina da amamentação é possível, mas as mães precisam de apoio das empresas

Toda separação é dolorosa. O primeiro momento de separação de mãe e filho por longos períodos, desde o simbiótico encontro no ventre, tem uma carga ainda mais dramática. O retorno ao trabalho das mulheres é sempre rodeado pelo fantasma de ter que abrir mão da amamentação.

Mesmo a lei 11.770/2008 garantindo incentivos fiscais a empresas que estendam por mais 60 dias a licença maternidade, para compatibilizar com os recomendados seis meses de aleitamento materno exclusivo, são poucas as que cedem.

A médica Bárbara Luz, 30 anos, tem uma agenda extensa de trabalho, com plantões em várias unidades de saúde. Desde o início da gestação de Amanda, ela decidiu pela amamentação exclusiva durante seis meses e por tempo indeterminado, acompanhada de outros alimentos, após retorno ao trabalho. Bárbara faz parte do grupo majoritário de mulheres que precisou retomar a vida profissional após os 120 dias de licença previstos na lei 10.421/02.

Conciliar a decisão de ofertar unicamente leite materno para a filha com a carreira foi uma superação de adversidades. “Tem que deixar o leite em casa e, no trabalho, tirar o leite para repor o estoque. Trabalhava dois expedientes e minha filha mamava nove vezes por dia. Houve dias em que parentes levaram ela até o hospital em que eu estava para minha filha mamar. Uma maratona”, define Bárbara.

O professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e presidente da Academia Honorário Pernambucana de Direito do Trabalho, Fábio Túlio Barroso, explica que, até os seis meses da criança, as mulheres têm direito a dois descansos de meia hora para amamentar. “Se for preciso dilatar esse prazo, em face da saúde do bebê, poderá fazê-lo a critério da autoridade competente”, afirma.

Sala de acolhida
A vida de Bárbara e das outras mães seria muito mais fácil se em todas as empresas houvesse uma Sala de Apoio à Mulher Trabalhadora que Amamenta. A iniciativa prevê um espaço para ordenha e congelamento do leite durante o expediente. Em Pernambuco, existem apenas 13 salas do gênero, das quais 11 estão em hospitais e duas em empresas.

Fornecer um espaço como esse, defendem os especialistas, aumenta a satisfação profissional das mulheres e reduz as chances de ausência por problemas de saúde do filho. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) tem uma minoria no quadro de funcionárias. Um em cada quatro empregados da companhia, no Recife, é mulher.

Mesmo assim, desde o ano passado, a empresa montou sala com três cabines para receber as mães. “Nossa preocupação é com o bem-estar delas. Temos equipe de apoio treinada ”, afirma a gerente da divisão de Saúde e Bem-Estar da Chesf, Ana Cristina Liberal.