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Tecnologia a serviço da vida

A inovação em métodos de diagnóstico e tratamentos individualizados mudaram a forma de a mulher lidar com o câncer de mama, que conta com várias possibilidades terapêuticas. Amanhã, veja formas de participar de ações de conscientização.

Um universo formado por 57 mil brasileiras deve receber, até o fim do ano, o diagnóstico do câncer de mama – ou seja, diariamente 142 mulheres no País descobrem a doença. A advogada Yoná Alencar, 40 anos, e a auxiliar administrativo Walessa Novaes, 29, fazem parte dessa fatia de pacientes que, passado o susto da descoberta do tumor, começa a encarar a realidade e aceitar a doença da melhor forma para enfrentar um percurso terapêutico longo. O detalhe é que Yoná e Walessa são beneficiadas com o avanço da tecnologia e a inovação observada nos métodos de diagnósticos por imagem, nas técnicas cirúrgicas, nos tratamentos individualizados e menos agressivos que ajudam a debelar um tumor que ameaça a essência da feminilidade.

Graças a essa evolução, elas depositam esperança no acompanhamento terapêutico e confiam na possibilidade de cura. Entre o dia em que Walessa recebeu o diagnóstico do câncer de mama e a primeira quimioterapia, passaram-se só 15 dias – uma realidade que faz parte de um grupo pequeno de pacientes. Para se ter ideia, na esfera pública, foi preciso uma lei entrar em vigor para determinar que a pessoa com câncer inicie o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até 60 dias após o registro da doença no prontuário médico. “Nem sempre, isso é cumprido”, lamenta a oncologista Cristiana Tavares, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc).

E se for levado em consideração o avanço dos métodos diagnósticos, os pacientes da rede pública também não têm chances para receber o diagnóstico do câncer de mama na fase em que o tratamento é mais efetivo. “Ainda há uma grande dificuldade para a população, principalmente a oriunda do interior, ter acesso a exames, como tomografias, ressonâncias, punções e biópsias. Esses obstáculos também aparecem durante tratamentos como cirurgia e radioterapia. Tudo isso leva à evolução da doença e reduz a chance de cura”, acrescenta Cristiana.

Ao observar esse cenário precário no sistema de saúde, Yoná não tem dúvidas de que é privilegiada. Conseguiu passar por métodos diagnósticos superavançados, como a mamotomia – uma modalidade de biópsia de mama que consiste na localização precisa de lesões. Depois do procedimento, veio a notícia de carcinoma in situ – termo usado para um tumor em fase inicial. “Chorei muito, mas logo depois apareceu o desejo de encarar a doença”, conta Yoná, que pretende ter essa capacidade adaptativa para lidar com todas as fases do tratamento nos próximos cinco anos – tempo que deve durar a caminhada dela contra o câncer.

Para a surpresa de Yoná, o diagnóstico mudou no bloco cirúrgico. Os médicos descobriram, durante a operação, que o carcinoma não era in situ, e sim invasivo. “Foi preciso esvaziar todos os gânglios da axila em conjunto com a retirada da mama, reconstruída na mesma cirurgia. Depois, tive que passar por novos exames para ver se o tumor havia atingido outras partes do corpo. Mas deu tudo normal”, acrescenta. Após quatro sessões de quimioterapia, que devem ser iniciadas esta semana, ela receberá um tipo de medicação específica (associada a outra leva de quimio) para o tipo de câncer que tem. É um medicamento moderno que faz parte da linhagem de terapia-alvo porque tem mínima ação nas células de tecidos normais do paciente e que combate a agressividade do tumor. “Depois, farei radio e hormonioterapia. Não vou deixar de lutar em nenhuma destas etapas.”

Com a mesma vontade de vencer o câncer, Walessa já iniciou a segunda parte de quimioterapia. “Encarei o diagnóstico muito bem. Acho que a minha autoestima, ao longo do tratamento, tem me ajudado a lidar com a doença da melhor forma possível”, conta. Ela segue um caminho terapêutico diferente de Yoná, mas conta com os mesmos avanços da medicina. “O meu oncologista preferiu iniciar a quimio para depois fazer a cirurgia e a radioterapia”, acrescenta. Casos como o de Yoná e o de Walessa comprovam que o câncer de mama é multifacetado, age de forma diferente em cada paciente e, por isso, merece acompanhamento individual para que as barreiras impostas pela doença sejam destruídas.

CONSCIENTIZAÇÃO

Os leitores do Jornal do Commercio podem continuar a aderir à campanha do Outubro Rosa, com o tema #TemQueTerPeito, alertando a população para a importância do diagnóstico precoce do tumor. Através dessa ação, os internautas postam fotos segurando uma página do JC de domingo com a hashtag. A leitora Virgínia Chalegre chamou atenção para a causa ao postar a foto de várias mulheres da família, incluindo a avó, engajadas na luta contra um câncer que ainda mata 13 mil mulheres todos os anos no Brasil, especialmente porque é diagnosticado em fase avançada. Só no SUS, estima-se que cerca de 50% dos casos sejam descobertos em estágio metastático.