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“A medicina marcou limite de 50 anos”

Como a ciência explica que, em alguns casos, uma mulher de 50 anos tenha mais chances de gestar do que uma de 40 anos ou menos?
Habitualmente, a medicina marcou os 50 anos como limite para conseguir uma gestação saudável porque era a idade em que começavam a aparecer doenças, tanto na mulher quanto nos óvulos. Mas, ao longo dos anos, a expectativa de vida aumentou e o estilo de vida possibilita que mulheres com 50 anos ou mais tenham chances de engravidar de forma saudável. Isso era impossível de se imaginar há alguns anos. Concordo com a resolução (do Conselho Federal de Medicina) que permite que o tratamento de reprodução assistida, nesses casos, seja uma decisão entre a paciente e o médico, havendo uma personificação desse tratamento. Cada caso deve ser analisado, a idade não pode restringir o debate.

E sobre a questão do uso do próprio óvulo no caso de mulheres com 50 anos?
Há um estudo espanhol recente, publicado pela European Society of Human Reproduction and Embryology, que alerta os médicos a orientarem as pacientes com mais de 44 anos a usar óvulos doados por mulheres com menos de 35.  Essa é uma discussão que ocorre porque a mulher normalmente quer gestar o próprio óvulo. A análise desse estudo é muito importante, porque ele começa a separar em grupos de observação mulheres a partir dos 38 anos, quando as taxas de gravidez por reprodução assistida começam a cair. Antes, os estudos eram misturados. Colocavam mulheres com mais de 38 anos num grupo e as com menos de 38 em outro. Depois que fragmentaram as faixas etárias, foram percebendo a queda nas taxas de sucesso do tratamento. A partir dos 38 anos, diminui a chance de engravidar, a taxa podia chegar a 1% de sucesso. E observaram que, quando as mulheres usavam óvulos doados por outras mais jovens, os índices de sucesso aumentavam. É uma questão de saúde do óvulo e da mulher. A partir desse momento, abriram-se as portas da preservação da fertilidade para as mulheres .

Outra discussão bioética diz respeito à pré-seleção, ou mesmo à edição genética, de embriões para eliminar doenças, implantando apenas o considerado mais saudável. Qual é a sua opinião sobre esse tema?
Acredito que temos em nossas mãos uma técnica que pode garantir que o embrião a ser implantado seja saudável, não morfologicamente normal, mas saudável. Isso é uma técnica de prevenção magnífica para solucionar um problema grande. Sabemos que a idade da mulher é um fator negativo para a qualidade dos óvulos. Com o tempo, aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas, como as síndromes de Down e de Turner, diferentes enfermidades que podem ser terríveis.