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Problemas nas nossas maternidades

Mário V. Guimarães
Médico
dr_mariovg@yahoo.com.br

Ultimamente a imprensa pernambucana, através de reportagens, tem feito comentários acerca de fatos ocorridos em algumas maternidades locais, sem porém identificá-las, quando se referem a episódios que são autênticas denúncias, mas que evidentemente repercutem pela opinião pública, sobre os obstetras que lá trabalham e na classe médica em geral.

Quero referir-me principalmente a uma publicação no DP de 02/8 último, na qual 3 pessoas entrevistadas (um professor, uma pesquisadora da Fiocruz e uma coordenadora de um chamado Grupo Curumim) são taxativas ao denunciarem que aqui são negadas anestesias comumente às pacientes negras, que elas sempre são as últimas a serem atendidas e, o pior, são as que mais registram óbitos. Por sua vez, o JC de 17/8 p.p. a aberrante novidade da existência entre nós da absurda e imoral nova especialidade profissional, que são os fotógrafos de partos, já criando problemas em algumas maternidades. Por que esses diretores permitem semelhante absurdo? E o respeito ao mais divino e sagrado momento da vida de uma mulher? Onde estão os maridos? Quem está ganhando com isso e como? A sociedade brasileira está achando pouco a vulgarização da nudez feminina, das corriqueiras separações, da triste, irresponsável e precoce sexualização das nossas adolescentes, ignorando a importância e o significado da virgindade no matrimônio? Até nas TVs já existem programas exibindo pacientes em trabalho de parto. Que desrespeito! Como surgiu isso?

É a quarta vez (05/4, 14/5 e 27/11/14) que abordo no DP o tema desrespeito à função maternal, desde que um grupo anônimo começou a agir aqui no Recife sob o rótulo de “Humanização do parto”, que vive a incentivar as gestantes a optarem pelo parto domiciliar, ignorando os seus riscos e fazendo criticas inclusive aos procedimentos técnicos dos obstetras ao conduzirem um trabalho de parto. Certamente baseiam-se no fato de que as nossas avós pariam em casa seus 5, 10 ou 15 filhos conforme costume da época. Esquecem que naqueles tempos não existiam órgãos que zelavam pelo bem estar da parturiente, nem médicos, nem recursos técnicos para a sua proteção e muito menos os conhecimentos científicos e profiláticos que hoje dispomos. Também não dispomos dos índices de mortalidade materna de então para avaliações.

O que nos tranquiliza é que a Sogope (órgão dos toco-ginecologistas) e o Cremepe, já têm conhecimento do que está acontecendo, e estão atentos ao que se passa, aguardando apenas o momento exato e certo de intervirem.