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Especialista pede atenção à gagueira

SAÚDE Hoje, dia internacional dedicado ao distúrbio, profissionais oferecem serviço gratuito e propõem projeto de lei para garantir direitos de quem tem disfluência da fala

Tensão, ansiedade, medo e baixa autoestima são sinais geralmente relatados por pessoas com gagueira, um distúrbio da fala que acomete cerca de 5% da população mundial. Desse universo, 1% convive com a disfluência da fala de forma persistente. Um recado que precisa ser disseminado neste Dia Internacional de Atenção à Gagueira é que essa condição, que acomete oito milhões de crianças e dois milhões de adolescentes e adultos brasileiros, tem tratamento. Graças a um acompanhamento especializado, a falta de fluência pode ser controlada.

“Quando não tratada, a gagueira causa muito sofrimento. Assim, é preciso apoiar as pessoas que convivem com esse distúrbio. Vamos iniciar hoje uma discussão para propor a criação de um projeto de lei para melhorar a assistência e garantir direitos de quem gagueja”, diz a presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), Bianca Queiroga. Ao lado de outros especialistas, ela participa hoje, das 18h às 21h, do 6º Encontro Pernambucano de Atenção à Gagueira, no Departamento de Medicina da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), na Boa Vista, área central do Recife.

“Precisamos começar a pensar em direitos e benefícios que podem ser oferecidos para melhorar a qualidade de vida das pessoas com gagueira. Muitas delas passam por momentos de aflição em situações como uma prova oral. E ainda não temos políticas que resguardem essa população”, reforça Bianca. A fonoaudióloga ainda diz que é o momento de voltar a atenção para a formação e a qualificação dos profissionais. “É importante discutirmos a preparação dos fonoaudiólogos. Nas escolas, os professores também devem ter um olhar especial para as crianças com falta de fluência. Afinal, a gagueira é um distúrbio que surge no período de desenvolvimento da linguagem.”

O professor é importante para a detecção das alterações de fluência da fala, pois deve dar suporte à criança com gagueira para que ela participe, sem insegurança, das tarefas escolares. Em atividades de leitura, ao invés de não chamar a criança para ler, o professor pode pedir que o aluno leia em coro com os colegas. O importante é que as pessoas com gagueira sejam acompanhadas, independentemente da causa desse distúrbio de linguagem.

Há várias linhas para o tratamento da disfluência. “Na Unicap, trabalhamos em grupo a forma como as pessoas participam dos discursos. Ao longo das atividades, muitas mudam de postura em relação à forma com que se comunicam e conseguem ganhar fluência na comunicação”, revela a fonoaudióloga Nadia Azevedo, coordenadora da Campanha da Gagueira em Pernambuco.

Desde que começou a participar do grupo de apoio, o instrutor de um projeto escolar Daniel de Alcântara Filho, 43 anos, passou a se comunicar com segurança. “Através de conversas com outras pessoas em terapia, aprendi a observar melhor a minha fala. Tenho mais momentos de fluência verbal e não me preocupo se aparece algum bloqueio. Falo sem medo e constrangimento”, conta.