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Peste persegue a raça humana há 5 mil anos

Pesquisadores encontram DNA da bactéria que provocou mortes em massa na Idade Média em esqueletos humanos.

Por onde ela passava, a morte abria seu manto, cingindo o maior número possível de almas. Como uma arma de destruição em massa, a peste dizimou a Europa em diversas ocasiões e, até que se descobrisse que era disseminada por pulgas escondidas no pelo de ratos, chegou a exterminar metade da população do planeta. As grandes epidemias medievais e das idades moderna e contemporânea são bem documentadas, mas um estudo divulgado na revista Cell sugere que, muito antes disso, a bactéria Y. pestis já rondava a humanidade.

De acordo com os pesquisadores, há mais de 5 mil anos, indivíduos na Eurásia eram infectados pela peste. Até então, a evidência mais antiga de DNA da Y. pestis estava em um fóssil humano datado de 1,5 mil anos. Agora, porém, o material genético do micro-organismo foi detectado em ossos de pessoas que viveram entre 2.782 a.C. e 951 a.C., em locais onde hoje são Sibéria, Estônia, Rússia, Polônia e Armênia. Contudo, embora infecciosa e comum — dos 101 fósseis analisados, sete estavam contaminados por ela —a bactéria, naqueles tempos, era menos patógena e letal, comparado às cepas que provocaram as pandemias milênios depois.

Ainda assim, essa versão mais amena da Y. pestis já era assustadora em um mundo com limitados saberes médicos. Tanto que, provavelmente, foi responsável por deslocamentos humanos na Eurásia, justamente o ponto de partida da equipe de pesquisadores que a detectou nos fósseis. O trabalho dos especialistas, liderados pelo Centro de GeoGenética da Universidade de Copenhague (Dinamarca), baseia-se em um estudo anterior, realizado há alguns meses por Eske Willerslev, da instituição dinamarquesa, e Kristian Kristiansen, pesquisador da Universidade de Gotenburgo, na Suécia, ambos autores dos dois estudos. Ao investigar o geonoma de indivíduos da Idade do Bronze (entre 3000 a.C. e 5000 a.C.), eles perceberam que os eurasianos começaram a migrar intensamente no período — os deslocamentos, inclusive, deram origem à maior parte da estrutura demográfica atual da Europa e da Ásia.

Ao se indagarem do que aquelas pessoas estavam fugindo, os cientistas suspeitaram que o inimigo não era visível a olho nu. “Recentemente, genomas antigos da Idade do Bronze na Europa e na Ásia demonstraram esses movimentos populacionais em larga escala, que resultaram em miscigenação e realocações. Muitos achados arqueológicos bem documentados comprovam as migrações. Achamos que epidemias de peste poderiam facilitar esses eventos dinâmicos”, observa Morten Allentoft.