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HR acuado pela insegurança

VIOLÊNCIA Sem vigilância, a unidade tem sido alvo de roubos e furtos. Médicos, funcionários e pacientes vivem rotina de medo

A insegurança está entrando pela porta da frente na maior emergência do Norte/Nordeste. Sem ninguém para barrá-la. Com os vigilantes em greve devido ao não pagamento dos salários de agosto, falta controle sobre as cerca de seis mil pessoas que circulam pelo Hospital da Restauração (HR), diariamente. Assim, além das tradicionais mazelas do setor, como a falta de medicamentos, de materiais de trabalho e de estrutura, os funcionários e pacientes passaram a conviver, também, com uma rotina de roubos e medo.

Denúncias chegaram ao JC via Facebook e foram confirmadas por vários funcionários, que pediram para não ser identificados por medo de represália. Pelo menos seis ocorrências foram registradas no posto policial local, este mês.

A ausência dos vigilantes foi constatada facilmente pela repórter, que esteve no hospital, ontem, e entrou sem ser incomodada. Apenas uma auxiliar de portaria da empresa Líber (cujos funcionários estão de aviso prévio) estava na entrada, mas não abordava as pessoas que entravam. A repórter circulou do segundo ao nono andar, passando pelos corredores que dão acesso à UTI, pediatria, neurologia e até acomodação dos residentes sem avistar nenhum vigilante.

“Houve arrastão no domingo passado, no quarto andar. Eu estava lanchando quando três policiais passaram, de arma em punho, procurando dois ladrões. Isso tem sido uma constante, os bandidos sabem que estamos expostos”, relata uma técnica de enfermagem.

“No final de semana anterior (dias 17 e 18) ladrões roubaram pacientes, arrombaram o andar da residência médica e picharam a fachada, por volta de 1h30. Chamamos a polícia, que só chegou às 4h, eles já tinham fugido. Algumas enfermarias estão sendo trancadas à noite, horário em que os bandidos agem mais. Eles usam facões”, denuncia outra auxiliar de enfermagem.

Um médico residente confirma que os ladrões bateram com força na porta de um dos quartos e o morador precisou se esconder dentro do banheiro e pedir ajuda. A providência foi um cadeado a mais no acesso.

A pichação já foi pintada, mas funcionários a fotografaram. Nela, um protesto: “Quantos vão morrer na fila de espera?”, dizia o autor, que se intitula Androide. Entre os objetos roubados, há registro de dois notebooks e alguns celulares.

“Estamos com medo, sobretudo porque há vários presos sob custódia no hospital. E se vier alguém resgatá-los ou matá-los? Qualquer pessoa está entrando aqui”, alerta outra funcionária da UTI. Um porteiro diz que bandidos entraram armados, no domingo, ameaçando matar um custodiado que não teriam localizado. Um visitante conta ter entrado um homem, no mesmo dia, com uma arma de brinquedo, na emergência.

Todos os empregados abordados pela reportagem confirmaram a situação de insegurança do hospital, relatando ocorrências em vários andares. Também reclamam da falta de pessoal. Informam ter havido redução do número de recepcionistas e dos terceirizados em geral, o que aumentaria ainda mais a dificuldade de atendimento e controle de acesso.