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Medicina de Família e Inca são contra rastreio

Idealizada no Brasil pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, com apoio da Sociedade Brasileira de Urologia, a campanha Novembro Azul atrai polêmicas. De um lado, urologistas defendem o toque retal e a dosagem do PSA como essenciais a partir dos 50 anos. Do ponto de vista do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), é desnecessário convocar parte da população masculina para submeter-se a uma investigação da próstata quando o homem não apresenta sintomas que justifiquem a realização dos exames.

Essa é a mesma visão da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), que se posiciona contra o rastreamento – política de saúde pública cujo objetivo é identificar uma doença antes que ela se manifeste ou piore, com o objetivo de diminuir o adoecimento e a mortalidade. O grupo alega que evidências científicas de boa qualidade mostram que a realização dos exames em homens sem sintomas de câncer de próstata oferece mais danos do que benefícios.

Entidades médicas dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido também não concordam com ações de rastreamento. “Os estudos que levaram a essas recomendações acompanharam milhares de homens por mais de dez anos e mostraram que fazer PSA, com ou sem toque retal, não diminui a mortalidade geral dos homens e muda muito pouco a mortalidade específica por câncer de próstata”, justifica, em nota, a entidade de medicina de família e comunidade no Brasil.

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) segue os mesmos princípios do Inca e também não indica rastreamento para câncer de próstata. “Quando se comparam os homens que passaram pelo rastreio com aqueles que não fizeram essa investigação, as pesquisas revelam que não há aumento da sobrevida”, diz a gerente de Saúde do Homem e da Pessoa Idosa da SES, Valéria Pastor. Ela ainda ressalta que não podem ser menosprezados os riscos decorrentes da indicação dos exames da próstata para homens que não manifestam os sintomas que levam a suspeita do tumor.

“Em alguns casos, eles são submetidos a procedimentos invasivos, como uma biópsia prostática que não precisaria ser feita. Mais importante do que indicar o rastreamento é estimular os homens a ir com regularidade às unidades de saúde, que veem a população masculina de forma integral”, acrescenta Valéria.

Os profissionais que não recomendam o rastreamento ainda alegam que, diante de um diagnóstico positivo, é preciso avaliar bem as consequências do tratamento. Entre elas, estão a disfunção erétil e a incontinência urinária em pacientes com câncer de baixo risco que poderiam ser acompanhados de perto para monitorar qualquer sinal de progressão da doença – e se isso ocorrer, os tratamentos tradicionais são indicados.