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Médicos acusados de golpe

CARUARU Dois profissionais atrasavam atendimento a pacientes e os convenciam a pagar por cirurgia. Mais 6 pessoas foram presas

Oito pessoas foram presas na manhã de ontem sob suspeita de praticar golpes contra pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre elas, dois médicos e um vereador do município de Tacaimbó, no Agreste do Estado. O esquema foi montado no Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru, e consistia em facilitar – mediante pagamento feito pelas vítimas – o acesso a atendimento ortopédico e traumatológico em clínicas particulares da cidade.

“Os pacientes desse tipo de especialidade geralmente sentem muita dor. Os suspeitos chegavam a atrasar os procedimentos no hospital e os abordavam com a promessa de agilizar o atendimento em outro local”, conta o delegado Erick Lessa, responsável pelas investigações da Operação Hipócrates, como foi batizada a ação da Polícia Civil. Os valores cobrados variavam de R$ 4 mil a R$ 12 mil por cirurgia e os investigadores estimam que o esquema tenha movimentado R$ 5 milhões.

Foram presos os médicos Pablo Thiago Cavalcanti de Albuquerque e Bartolomeu Bueno da Mota, que atendiam os pacientes fora da rede pública. O suspeito de liderar o grupo é o chefe da emergência do hospital, Thiago Emanuel da Silva. Também foram detidos os servidores Luiz Emídio da Silva Filho, Almir Ferreira da Silva e Severino Ramos do Santos, acusados de abordar pacientes nos corredores da unidade, com a promessa de atendimento. Entre os supostos aliciadores estão a comerciante Maria Aparecida Gonçalves Pereira de Lima e o vereador Claudiomiro Martins da Silva. Com ele foi encontrado um revólver calibre 38. Também foram ouvidos e liberados em seguida o médico Ricardo Cavalcante Marinho e a funcionária pública Maria da Paz Mendes da Silva. Jamesson Luiz da Silva, servidor do hospital, está foragido.

De acordo com o delegado, o grupo responderá pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência e lesão corporal. Este último, em virtude de procedimentos médicos malfeitos e que resultaram em problemas físicos para os pacientes.

A Polícia Civil conseguiu identificar seis pacientes que teriam sido lesados pelo grupo. “O número certamente é maior, por isso vamos continuar com as investigações”, explicou o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, que acompanhou a entrevista coletiva de apresentação do caso no Recife, ontem à tarde. Apenas na conta de um dos suspeitos, a polícia encontrou registros de movimentações bancárias de até R$ 2 milhões. “O valor é incompatível com os vencimentos dessa pessoa, então suspeitamos que o dinheiro seja parte do esquema”, afirmou Erick Lessa.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que já estuda formas de repor os funcionários afastados, de modo a não prejudicar o atendimento à população. De acordo com o órgão, a Operação Hipócrates foi fruto de denúncias feitas pelos próprios pacientes do hospital ao governo do Estado e ao Ministério Público, durante a passagem do programa Todos por Pernambuco em Caruaru, no dia 11 de abril.