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Microcefalia: alerta nacional

Aumento dos casos no Estado está sob investigação, assim como os registros em outros estados

O aumento atípico de casos de microcefalia, má-formação congênita em que crianças nascem com o diâmetro da cabeça menor que o normal, fez com que o Ministério da Saúde (MS) declarasse situação de emergência em saúde pública de importância nacional. O anúncio permite que o MS possa empregar medidas urgentes de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública. O Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES), em Brasília, também já foi ativado para gerir os impactos dessa sinalização de crise na saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também monitoram a situação. A mobilização aconteceu depois que Pernambuco atestou o aumento de casos da doença. Em geral, eram de nove por ano. Em 2015, já foram registrados 141. O Rio Grande do Norte e Paraíba também estão enviando dados para o ministério informando incremento de microcefalia.

A secretaria executiva de Vigilância em Saúde do Estado, Luciana Albuquerque, comentou que profissionais em hospitais começaram a verificar a mudança no padrão de ocorrência da doença neste segundo semestre. A partir de 27 de outubro, a SES orientou a notificação compulsória da má-formação nos recém-nascidos. As 141 notificações são provenientes de pessoas residentes em 42 municípios do Estado, mas há concentração na população da I e IV regionais de saúde, que incluem o Recife, Jaboatão e Olinda, na RMR, e no município de Toritama (Agreste). Os registros aconteceram em 24 estabelecimentos de saúde, com destaque para o Hospital Barão de Lucena (HBL), Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e Hospital Agamenon Magalhães (HAM). A situação de alerta fez com que Pernambuco iniciasse de imediato um protocolo especial de saúde nesta semana.

“O primeiro protocolo é clínico e epidemiológico para orientar os profissionais como manejar os casos desde a notificação até os exames. Na semana que vem vamos entrar numa segunda etapa com foto na gestante e que cuidados elas devem ter”, disse Luciana. Uma das suspeitas está na correlação entre o adoecimento da gestante com zika vírus, que poderia causar a má-formação no feto, além de calcificações na cabeça.

O estado de emergência foi anunciado pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro, durante coletiva. “A microcefalia é uma anomalia congênita que se manifesta antes do nascimento e prejudica o desenvolvimento do cérebro dos bebês”, disse. Além da microcefalia, o gestor aproveitou a entrevista para alerta sobre a suspeita de um caso de ebola registrado em Minas Gerais (leia mais em Brasil).

Rio Grande do Norte também preocupa

O infectologista Kleber Luz encabeça a investigação sobre o aumento de microcefalia no Rio Grande do Norte. O estado, assim como Pernambuco, viveu um surto de Zika no primeiro semestre de 2015 e, por isso, a doença aparece como principal suspeita do quadro epidemiológico. “Cerca de 80% das mães contam que tiveram coceira e vermelhidão no corpo no primeiro semestre da gravidez”, comentou.

A partir de outubro, o médico verificou que começaram a nascer muitas crianças com a má-formação, que atinge o sistema nervoso central, e algumas com calcificação craniana e casos graves. Inclusive, um óbito devido a microcefalia já foi atestado por Luz. “Essa crianças nasceu, viveu 20 horas e foi a óbito”, disse.

Já são 21 casos catalogados no RN entre outubro e novembro. O volume é muito maior que os registros de períodos anteriores. “No ano passado a gente tinha uma média de má-formação variada do sistema nervoso central, que incluem a microcefalia, de um a três casos por mês. Contudo havia mês que não tínhamos nenhum. Foi um aumento muito significativo no número de casos e principalmente de microcefalia”, contou.

O Rio Grande do Norte também informou os achados ao Ministério de Saúde e adotou a notificação compulsória dos casos, além de protocolos de cuidados com os recém-nascidos.

“Estamos fazendo investigação e fazendo sorologia para afastar outras doenças. Estamos realizando teste de imagem também. A coisa está muito recente ainda, mas tudo leva a crer que seja realmente provocado pelo Zika”, destacou Luz. O infectologista comentou ainda que teve informações do aumento da doença em Teresina, no Piauí, e em Campina Grande, na Paraíba.