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Médicas temem problema social

O aumento do número de casos de microcefalia no Nordeste preocupa os médicos, além de tudo, por causa do problema social que pode causar. A chefe do serviço de infectologia pediátrica do Oswaldo Cruz, Ângela Rocha, frisou que toda uma geração precisará de acompanhamento médico para o resto da vida.

Segundo ela, a anomalia não é algo padronizado, ou seja, as lesões cerebrais não são iguais em todas as crianças. Variam de acordo com o nível de comprometimento que a malformação causou. Mas todas precisarão de assistência neurológica. “Não há descrição de um evento com essa magnitude na literatura médica mundial”, afirmou Ângela Rocha.

As crianças que tiverem um comprometimento cerebral maior terão mais danos. Quer dizer que a lesão da malformação acometeu mais áreas do órgão e as sequelas devem ter mais intensidade. As consequências básicas causam déficit neurocognitivo e motor, ou seja, dificuldades para andar, falar e ouvir. Podem também gerar crises convulsivas. No entanto, os especialistas ponderam que isso vale para a microcefalia tradicional. O que aconteceu este ano se trata de um evento novo que ninguém conhece a causa ainda.

“A gente não sabe como vai se portar o cérebro. É difícil de dizer o que vai acontecer. Pode ser que os bebês tenham algum outro sintoma que a gente não espera, ou não tenham nenhum desses”, explicou a orientadora do ambulatório de infectologia do Oswaldo Cruz, Regina Coeli.

Ontem, a unidade atendeu três mães com seus bebês e uma gestante. Também ontem, a Secretaria de Saúde do Piauí informou o registro, nas últimas três semanas, de 10 casos entre recém-nascidos e dois intrauterinos. A maior parte dos casos do país está em Pernambuco (141), seguido por Sergipe (49), Rio Grande do Norte (22) e Paraíba (9).