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Exames confirmam infecção por zika

Altamente provável. Esta foi relação feita pelo Ministério a Saúde (MS) entre a alta de casos de microcefalia e o surto e zika que atinge vários estados do País. O que reforçou as suspeitas de que o vírus seja o responsável pelas malformações congênitas em bebês foram exames feitos no líquido amniótico de duas gestantes da Paraíba, que já tiveram os fetos detectados com a anomalia. No material coletado foi verificada a presença do genoma do zika. Aliada a essa descoberta, outros testes para infecção por toxoplasmose e citomegalovíus tem dado negativo em outras amostras. O diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do MS, Cláudio Maieroitch, destacou que esse achado é uma sinalização importante para descobrir as causas e aumento da microcefalia na região Nordeste. “Porque não é esperado que existisse vírus zika em nenhum tecido do corpo humano. Isso mostra uma infecção aguda, que além de estar presente no organismo da mãe), passou para o feto”, pontou.

Assim como o MS ainda não sabe explicar o mecanismo de infecção do feto, também desconhece o número de pessoas infectadas no Brasil, apesar de admitir o surto do vírus, que foi por muitos meses confundido com a dengue e a chinkungunya. Identificado no país em junho, o zika já teve a circulação confirmada em 14 estados, entre eles Pernambuco. Contudo, os testes laboratoriais para a doença realizaram sorologia em uma pequena mostra por região. Isso deixou lacunas sobre a real dimensão do surto da doença, que muitas vezes tem sintomas leves e passa despercebida. Cláudio Maierovitch confessou que é impossível estimar a magnitude da epidemia. Em Pernambuco, por exemplo, apenas seis amostras de pacientes foram confirmadas como zika pelo ministério, mas a própria Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirma a epidemia no território.

Neste cenário de incertezas, o Governo Federal divulgou um novo boletim epidemiológico da microcefalia, ontem. Até agora são quase 400 casos da malformação congênita. Eles estão distribuídos pelos estados de Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Ceará e Bahia. O número já superou em 400% a média de casos de anos anteriores. Diante da situação nos estados nordestinos, o MS já declarou desde a última semana Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e a partir de hoje haverá a notificação obrigatória da microcefalia em todo o País. Os dados devem ser informados em plataforma on-line para que haja um acompanhamento em tempo real. Especialistas internacionais também colaboram para descobrir as causas da anomalia nos bebês.

Pernambuco, que concentra o maior número de casos, divulgou ontem novos dados da doença. Em uma semana, os casos notificados saltaram de 141 em 42 cidades para 268 casos em 79 cidades. Desses, 102 já foram confirmados com diâmetro encefálico abaixo de 33 centímetros e calcificações no cérebro. A maior concentração de notificações está na 1ª Região de Saúde, distribuídos entre Recife (21,6% dos casos, 58 ocorrências), Jaboatão dos Guararapes (7,1%, 19 casos), Olinda, Cabo de Santo Agostinho e Vitória de Santo Antão (3,7%, 10 casos). Diante da pulverização do quadro, a SES está articulando redes regionais para assistência da microcefalia. “Hoje a referência estadual é o Hospital Oswaldo Cruz (HUOC), Imip, Cisam e AACD, mas teremos a necessidade de referências de saúde nas macrorregionais de Caruaru, Petrolina e Serra Talhada, por isso vamos ter que articular a rede”, disse a secretaria executiva em Vigilância à Saúde, Luciana Albuquerque. Ela enfatizou que o Estado foi o primeiro a observar o aumento da doença nos bebês e que há 21 dias trabalha para descobrir as possíveis causas. Luciana destacou que não esta no protocolo de Pernambuco a realização de exames no líquido amniótico das gestantes, até porque este teste é invasivo e tem risco para o feto e a mãe. Por aqui, no hall de exames para a investigação são a tomografia no bebê e exames de sangue, sorológicos e urina.

DOENÇA A microcefalia é uma malformação congênita em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada, tendo como característica perímetro cefálico menor que o normal para sexo/idade. O tamanho normal é entre 34 e 37 centímetros, mas nos bebês com a doença são abaixo de 33 cm. A anomalia tem causas genéticas ou ambientais. Entre os ambientais estão fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.