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Toda ajuda é importante nessa luta

Desafios
“Ao contrário do que as pessoas pensam, a maior parte dos focos se encontra dentro das casas. Cerca de 85% em reservatórios de água limpa, principalmente tonéis, que os moradores usam para o uso do dia a dia. Um ponto muito positivo do combate ao mosquito é a boa receptividade que os agentes de endemia têm tido nas comunidades que percorrem. O trabalho deles é visitar as residências, detectar focos e aplicar o larvicida nos reservatórios. Se as pessoas se negassem em abrir as portas para eles, teríamos um problema. Mas os moradores não só os recebem como querem mostrar o conhecimento que têm sobre o assunto, se orgulham de não deixar água parada.”

Preocupação
“As edificações abandonadas são nossa maior preocupação do combate tradicional e é normalmente esse tipo de local que as pessoas denunciam. Para entrar nessas casas e eliminar os pontos de acúmulo de água é comum que utilizemos meio judiciais. Pessoas que rejeitam abrir as portas para os agentes também podem ser obrigadas pela Justiça, mas é incomum, porque exploramos muito a via do convencimento. Eles estão prejudicando familiares e vizinhos, porque o mosquito não mora na casa em que surgiu

Os agentes também são importantes porque são grandes conhecedores das peculiaridades das casas. Cada região do Recife apresenta uma característica quanto aos focos de Aedes. Calhas entupidas, por exemplo, são focos escondidos que, mesmo os moradores conscientes não percebem. Os agentes alertam quanto a isso. Também sabem das atitudes das famílias quanto aos mosquitos. Como todo esse conhecimento de causa, não poderia ser diferente: eles estão ligados aos gerentes regionais e ao secretário de saúde para propor as políticas públicas”.

Mutirões
“A Cohab é o bairro mais afetado pela dengue, com 2.871 casos. Um morador de lá estava registrado como uma das três pessoas que foram à óbito por causa da dengue hemorrágica. No último sábado, fui com todos os secretários da prefeitura acompanhar o primeiro mutirão, com 40 agentes de endemia trabalhando no local. Os secretários acompanharam os agentes nas visitas às casas, entraram, conversaram com as pessoas. Acredito que o efeito disso é que a população percebe o engajamento da Prefeitura, sentindo a importância de combater o Aedes aegypti. Mas os mutirões serão realizados em toda a cidade, e não só na Cohab. Passaremos primeiro pelos dez bairros mais afetados pela dengue e continuaremos.

Mobilizamos as pessoas não apenas em relação à microcefalia, mas a todas as doenças que o mosquito transmite. Essa é a mesma guerra de antes, que realizamos contra a dengue. Ela é tão antiga que o senso comum já o trata como se fosse apenas uma gripe de uma semana, apesar da seriedade da doença. A chicungunha apareceu já mais séria, trazendo problemas que limitam as pessoas, muitas dores. Aí vem a zika, sendo agora relacionada à microcefalia, se revelando gravíssima. As pessoas vão percebendo que o problema é maior, mas não há uma medida diferente ou específica para resolvê-los. A única saída é acabar com o vetor”.

Emergência
“Conversei no sábado com o governador Paulo Câmara e decicimos assinar o decreto de estado de emergência por epidemia de microcefalia. Essa ação é importante, principalmente, para trazer o assunto à mídia para que as informações sejam mais difundidas. O esclarecimento circula mais pela sociedade com o estado de emergência declarado. Por outro lado, também é mais rápida a tramitação de questão de Justiça ligadas ao tema. A licença para eliminarmos focos de Aedes em casas abandonadas, por exemplo, é um caso claro disso. Os números são expressivos e estamos convencidos que é o momento de declaramos emergência”.

Reforços humanos
“Nesta semana já iremos recorrer às forças armadas para ampliar o grupo de combate à dengue. No começo deste anos, quando a epidemia foi muito forte, 260 oficiais, entre soldados e sargentos, foram recrutados para trabalhar por um mês como agentes de endemia. Passaram por um treinamento e colocaram a mão na massa, com ótima aceitação da comunidade. Toda ajuda é importante. Quanto mais pessoas, mais visitas e menos tempo entre uma visita e outra. Conseguimos, em menos de um mês, diminuir os casos de 1.700 para menos de 200 semanais. Claro que há o fator sazonal, em que uma época do ano é mais propícia à reprodução do mosquito, mas o freio foi muito forte para que não levemos o trabalho dos agentes em consideração.

O Transforma Recife, programa de cadastro de voluntariado da capital pernambucana, também está sendo considerado como fonte de pessoas que atuariam no combate ao Aedes. Estão planejando a melhor forma de utilizar a força de parte dos 60 mil voluntários cadastrados no programa, porque não podemos simplesmente convocá-los e direcioná-los para as comunidades. Mesmo assim, tenho certeza que irão nos ajudar: o programa nos carimbou como a cidade mais solidária do Brasil”.

Reforços financeiros
“Na última terça-feira consegui me reunir emergencialmente com o ministro da saúde Marcelo Castro, e solicitei recursos para ações específicas de combate ao Aedes. Ele ainda está analisando o repasse de R$ 30 milhões. Não sabemos quando teremos uma resposta. Os recursos serão utilizados para ampliar do número de agentes de 600 para 900, principalmente. Essa é a questão mais importante para a luta contra o mosquito. Mas a verba também será utilizada para a realização de campanha publicitária, compra de insumos, ajustes de logística e equipamentos de proteção individual. O ministério da Saúde já está fazendo uma campanha, mas precisamos regionalizá-la, para que ela tenha mais efeito na nossa população. Claro que já estamos trabalhando sem essa verba, utilizamos tudo o que temos”.

Reforços
“Todos os secretários me apresentarão maneiras de reforçar o combate. Nos reunimos na sexta-feira e eles levaram a criação de uma proposta como dever de casa no fim de semana. Algumas secretarias já estão trabalhando em conjunto com a Secretaria de Saúde. A de Educação, por exemplo, está atuando com a conscientização dos alunos das escolas municipais, enquanto a de Imprensa mobiliza os meios de comunicação. Articularam-se para me colocar ao vivo durante a transmissão da cobertura do jogo do Santa Cruz, no sábado, por exemplo. Fiz um apelo aos ouvintes, porque o futebol junta muita gente de muitos bairros diferentes. Os jogadores entraram com uma faixa para tentar sensibilizar o público, também. Todo mundo faz sua parte. Mesmo os agentes de trânsito estarão envolvidos no esclarecimento da população quanto à água parada”.

Atenção aos atingidos
“Apesar do foco na tentativa de erradicação do mosquito responsável pela epidemia da microcefalia, as famílias que já foram atingidas pela famílias também são uma grande preocupação nossa. Com as gestants e as mães dos bebês, o pré-natal e o trabalho psicológico é a prioridade. Estamos estruturando um atendimento padronizado para elas, com um trabalho direcionado. É também importante perceber que no futuro, quando esses quase 500 recém-nascidos estiverem em idade escolar, será necessário um trabalho de inclusão nas salas de aula”.