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Saúde em busca de novos modelos

FÓRUM Operadoras de planos de saúde se articulam para introduzir novos produtos, como a franquia e o VGBL. Inspiração vem dos EUA, mas está longe do consenso

A lista de insatisfações com o atual modelo de saúde suplementar no Brasil renderia uma página inteira de jornal. Consumidores, operadoras e fornecedores não enxergam sustentabilidade no sistema atual. Como muitos empresários e consultores gostam de citar, a saúde não tem preço, mas a medicina tem custo – e ele é bastante alto. As operadoras estão se articulando para mudar o modelo e introduzir no mercado novos produtos e formas de remuneração.

As despesas totais do setor de saúde suplementar (soma dos gastos assistenciais e administrativos) alcançaram R$ 143,6 bilhões e cresceram 13,8% nos 12 meses terminados em setembro de 2015, na comparação com o mesmo período encerrado em setembro de 2014. Nesse mesmo intervalo, as receitas de contraprestações somaram R$ 143,2 bilhões, um aumento de 12,8%. O resultado operacional do setor, portanto, foi negativo para o período, em R$ 0,4 bilhão.

Os números se referem aos 18 grupos empresariais, que somam 24 operadoras, associados à Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). As maiores fatias de gastos, mostra a federação, são com internações e Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME). A FenaSaúde, no entanto, não divulgou perspectiva de faturamento anual. Na semana passada, as operadoras de saúde estiveram reunidas no 1º Fórum de Saúde Suplementar, em São Paulo, para discutir o tema “Sobrevivência do Setor de Saúde Suplementar – Propostas, Metas e Responsabilidades”. Muitas inspirações vêm do modelo norte-americano de assistência privada.

As empresas querem, por exemplo, introduzir o modelo de franquia, semelhante a como acontece nos seguros veiculares. Alegam que assim seria possível reduzir o valor do prêmio (mensalidade) e estimular o beneficiário a fazer um uso mais consciente do plano. Tipicamente, quanto maior o valor da franquia, menor o valor do prêmio e vice-versa.

Além disso, as empresas estudam aumentar a taxa de co-participação, em que o empregado assume o pagamento de uma parte do valor da consulta ou do procedimento, uma alternativa que divide os custos da assistência médica entre empregador e empregado. Outra saída que vem sendo estudada para dar sustentabilidade ao setor é a introdução de uma espécie de VGBL saúde, projeto que está no Senado. O VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) é um tipo de previdência privada. O modelo ajudaria o beneficiário a manter o plano de saúde quando se aposentasse e pesaria menos na conta das operadoras.

Outra opção seria fomentar Parcerias Público-Privadas, como centrais de compras, avaliações de tecnologias, conscientização e promoção da saúde. A atenção também se voltaria para questões de prevenção e maior atenção integrada aos idosos portadores de doenças crônicas, que mais pesam na conta. As empresas ainda estudam a viabilidade de integrarem e compartilharem a rede assistencial para idosos, iniciando com um projeto piloto em Copacabana.

Os planos coletivos (empresariais e por adesão) vão continuar dominando o mercado brasileiro. “O controle de preços inviabilizou os individuais”, disse o presidente da FenaSaúde, Márcio Serôa de Araújo Coriolano, durante o fórum. Ele também é presidente da Bradesco Saúde e da Mediservice. O reajuste dos contratos coletivos não é submetido à mesma regulação dos individuais.