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Zika não é empecilho à amamentação

RECADO Não existe qualquer orientação para evitar aleitamento materno, mesmo diante de complicações que surgem com a doença

Após confirmada a relação entre a infecção provocada pelo vírus da zika na gestação e casos mais recentes de microcefalia, as especulações em torno da transmissão desse agente através do aleitamento materno não param de aumentar. Nesse momento, um recado vale ser repassado para as mulheres que amamentam seus bebês: mesmo diante do eventual aumento de complicações provocadas pela zika, ainda não há evidências para alterar as orientações já consolidadas sobre o aleitamento materno, assim como as condutas adotadas pelos bancos de leite. Esse aviso, que parte de um comunicado do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), tem sido considerado pelas Redes Global e Brasileira de Bancos de Leite Humano.

Até agora, a única forma de transmissão do vírus confirmada é pelo mosquito Aedes aegypti. “Por isso, não há orientação no intuito de contraindicar a amamentação. Atualmente, essa prática só é desaconselhada nos casos em que a mãe foi infectada pelo HIV ou faz tratamento com alguns quimioterápicos”, explica a obstetra Adriana Scavuzzi, coordenadora do Centro de Atenção à Mulher do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Ela diz que, para contraindicar a amamentação nos casos em que se suspeita que a mãe foi infectada pelo vírus da zika, seriam necessários um embasamento científico muito forte, o que ainda não está registrado na literatura médica. “Ainda há muitos boatos, dúvidas e temores, mas acredito que vamos conseguir tranquilizar a população, disseminando informações educativas”, reforça Adriana Scavuzzi.

Ao longo de quase 30 anos, os avanços em torno da prática do aleitamento materno foram imensos. Na década de 1980, só 3,6% dos bebês brasileiros recebiam apenas leite materno até os 4 meses. O cenário hoje é bem diferente: a prevalência de amamentação chega a mais de 50%, segundo o Ministério da Saúde. Desde 2001, quando se passou a apoiar fortemente a amamentação exclusiva por 180 dias, os médicos passaram a observar uma redução da taxa de mortalidade infantil – que chegou, em Pernambuco, a 16 por mil nascidos vivos em 2012. Em 2007, era de 25,8.

Assim, o maior receio dos especialistas é que, nesta época em que estão em investigação outras formas de transmissão do vírus da zika, as mães desistam de manter o filho no peito, o que pode prejudicar o trabalho de promoção ao aleitamento materno realizado nos últimos anos. “O leite materno oferece muitos fatores de proteção aos bebês. Por isso, deve continuar a ser oferecido”, reforça a neonatologista Lindacir Sampaio, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco.