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Zika traz mais preocupações

EPIDEMIA Vírus já circula em 18 países e ontem Bolívia confirmou. EUA registraram 5 casos. Estudo reforça transmissão pela placenta

Sete meses após a confirmação laboratorial da circulação do zika em Pernambuco, o mundo assiste não apenas a uma rápida expansão geográfica do vírus, mas também a possíveis efeitos de um agente que, até pouco tempo, era considerado mais brando do que o vírus da dengue. Na semana em que o escritório central da Organização Mundial de Saúde (OMS), na Suíça, assume o combate ao vírus, o cenário se mostra cada vez mais preocupante.

O número de países com circulação do zika dobrou em um mês e meio. Já são 18 países com casos autóctones (transmissão local) do vírus. A esse universo, soma-se um caso autóctone na Bolívia. Ainda ontem autoridades divulgaram que cinco residentes dos Estados Unidos (incluindo pelo menos duas grávidas) tiveram testes positivos para o zika. Os casos surgiram após as pessoas viajarem para países onde o vírus circula.

O estudo que confirmou ontem que o zika consegue ultrapassar a placenta durante gestação reforça a transmissão intrauterina do agente e acende o alerta para o desenvolvimento de estratégias capazes de bloquear o processo de infecção e/ou transmissão do vírus pela placenta. “As pesquisas precisam agora ser conduzidas com o objetivo de investigar caminhos que possam diminuir eventuais danos que o zika possa causar ao feto a partir do momento em que se detecta que a gestante foi infectada pelo vírus”, diz o médico Carlos Brito, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O especialista acrescenta que pode-se pensar no desenvolvimento de drogas antivirais, capazes de impedir a transmissão placentária, e no uso de imunoglobulinas específicas.

Ontem, ao reforçar a distribuição de 500 mil testes para realizar o diagnóstico de PCR (biologia molecular) para o vírus zika, o Ministério da Saúde informou que laboratórios públicos ampliarão em 20 vezes a capacidade dos exames, passando de mil para 20 mil diagnósticos mensais. As primeiras 250 mil unidades serão entregues, em fevereiro, a 27 laboratórios, sendo quatro de referência e 23 Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen). Os outros 250 mil testes estarão disponíveis no segundo semestre.

Além disso, serão adquiridos outros 500 mil testes nacionais de biologia molecular, produzidos pela Fiocruz, para diagnóstico de dengue, zika e chicungunha. O procedimento permite identificação simultânea do material genético para os três vírus. Serão priorizadas, para os testes, grávidas com sintomas de zika e com ultrassom sugestivo de microcefalia, além de recém-nascidos com suspeita da anomalia.

Ontem o Ministério da Saúde divulgou que, no Brasil, já foram notificados 3.893 recém-nascidos com suspeita de microcefalia relacionada ao zika. Desse total, 224 casos tiveram confirmação da anomalia congênita (123 deles em Pernambuco) e outros 282 foram descartados. Continuam em investigação 3.381 casos suspeitos. No País, foram notificados 49 óbitos por malformação congênita. Desses, cinco foram confirmados para a relação com o vírus. Além deles, foi reforçada a relação com o zika em um bebê com microcefalia em Minas Gerais. Essa é a sexta confirmação da ligação da anomalia com o vírus. Esses resultados somam-se a outras evidências científicas e reforçam a hipótese de relação entre a infecção pelo zika e a ocorrência de malformações congênitas.