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Zika vírus invade a placenta

Estudo reforça vínculo entre o vírus transmitido pelo Aedes aegypti e a microcefalia, doença que já registra 3,8 mil casos no país

Um estudo realizado no Instituto Carlos Chagas, da Fiocruz Paraná, comprovou que o zika vírus consegue ultrapassar a placenta durante a gestação. A análise foi feita a partir de amostras de uma paciente do Nordeste, que sofreu um aborto, reforça o elo entre essa vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e a epidemia de microcefalia, malformação que altera o desenvolvimento neurológico dos bebês.

Ontem, o Ministério Público divulgou um novo boletim sobre a doença. Em uma semana, cresceram em 10% os registros suspeitos no país, que são 3.893. Entretanto, dentre eles, apenas 224 estão confirmados, 5,7% do total. Os casos ocorreram em 764 municípios.

A região Nordeste é ainda a que concentra a maior quantidade de bebês com a malformação no Brasil, mas o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Claudio Maierovitch, afirmou que a curva está reduzindo na região. A mulher investigada pelos cientistas paranaenses sofreu um aborto retido, quando o feto para de se desenvolver dentro do útero, na oitava semana de gestação. O fato ocorreu depois de ela apresentar sintomas de infecção pelo zika.
Segundo o instituto, amostras da placenta foram submetidas a exames com capacidade para verificar uma infeção por vírus do mesmo gênero que o zika. Os resultados foram positivos e apontaram a presença de proteínas virais nas células placentárias.

Também foram analisadas com técnicas moleculares amostras do tecido que apresentavam alterações morfológicas. Os exames confirmaram também a infecção de células da placenta pelo vírus e a transmissão placentária. A partir dos resultados, os cientistas levantaram a hipótese de o zika estar utilizando a capacidade migratória das células para alcançar os vasos fetais.

“Esse resultado confirma de modo inequívoco a transmissão intrauterina do zika vírus, além de contribuir na aquisição de conhecimento sobre sua biologia e interação com células do hospedeiro”, explicou a virologista-chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas, Cláudia Santos.

Em novembro do ano passado, o zika foi encontrado em amostras do líquido aminiótico de grávidas paraibanas. Para o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e membro do Comitê de Arboviroses do Ministério da Saúde, Carlos Brito, o estudo só reforça a relação do zika com o surto de microcefalia. Outras perguntas importantes, porém, ainda estão a ser esclarecidas.

“Precisamos saber quais os fatores de risco associados à gestação, se a resposta imunológica da mãe pode interferir no desenvolvimento da microcefalia, a taxa de incidência em caso de haver a infecção pelo zika. Se isso ocorrer, precisamos também estudar uma forma de bloquear a transmissão para evitar a microcefalia”, afirmou Brito.
Na próxima semana, ele estará reunido com pesquisadores da América Latina, em reunião da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), para a elaboração de um documento com orientações continentais. O Ministério da Saúde confirmou ontem também a relação do zika com um caso de microcefalia, em um bebê de Minas Gerais.

Estados Unidos
Ontem, os Estados Unidos divulgaram três casos de zika na Flórida. O vírus circula em 20 estados brasileiros e 14 países das Américas. Neste mês, o governo norte-americano emitiu alerta para que grávidas e mulheres com intenção de engravidar não viajem ao Brasil e outras 13 nações da região. (Com agências)

Saiba mais

Microcefalia no Brasil

3.893 casos suspeitos
764 municípios
21 unidades da federação
10% de aumento na quantidade de suspeitas em uma semana
5% de aumento na quantidade de municípios notificados em uma semana

Dos notificados:

224 tiveram confirmação de microcefalia (5,7% do total)
6 confirmaram a relação com o vírus Zika
282 foram descartados
3.381 casos suspeitos de microcefalia

Estados com mais casos suspeitos

Pernambuco     1.306
Paraíba         665
Bahia         496
Ceará         216
Rio Grande
do Norte     188
Sergipe         164
Alagoas         158
Mato Grosso     134
Rio de Janeiro     122

Óbitos

49 óbitos por malformação congênita
5 confirmaram relação com o zika vírus (1 no Ceará e 4 no Rio Grande do Norte)

Circulação autóctone do zika

20 unidades da federação: Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Roraima, Amazonas, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná