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Zika é transmitido por via sexual

Exames realizados nos Estados Unidos comprovaram suspeita e acendem alerta para cuidado redobrado durante o carnaval

Mais uma forma de transmissão do zika vírus está confirmada: a relação sexual. Autoridades do Dallas County Health and Human Service (DCHHS, serviço de saúde de Dallas), do estado do Texas, nos Estados Unidos, afirmaram que um paciente foi infectado pela doença depois de se relacionar sexualmente com uma pessoa infectada que havia voltado de viagem da Venezuela. O vírus está relacionado à epidemia de microcefalia, malformação genética que afeta o desenvolvimento dos bebês.

O caso corrobora estudos anteriores, que já haviam isolado o vírus no sêmen. Há menos de uma semana do carnaval, o anúncio acende um alerta máximo para redobrar os cuidados durante a folia.

As autoridades sanitárias de Dallas afirmaram ter recebido a confirmação do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O órgão não explicou, porém, como a pessoa que viajou à América Latina teria contraído a doença. “Sabendo que o zika vírus pode ser transmitido pelo sexo, aumenta nossa campanha de prevenção”, disse a diretora do DCHHS, Zachary Thompson.

Até então, apenas a transmissão do zika por mosquito estava confirmada. Entretanto, o vírus já foi encontrado no leite materno e há suposições de transmissão pelo sangue. Registros anteriores mostram que um pesquisador teria transmitido a doença para a mulher, nos Estados Unidos, depois de regressar de viagem ao Senegal, em 2008. O vírus também foi encontrado no sêmen de um homem no Taiti que teve sintomas do zika. A presença do vírus foi identificada duas semanas depois da sintomatologia.

Ainda que confirmada, a transmissão por relação sexual deve ser vista com cautela, segundo explica o professor da UFPE e membro do Comitê Técnico de Arboviroses do Ministério da Saúde Carlos Brito. “A probabilidade de a pessoa manter relações sexuais ou trocar várias vezes de parceiro dentro de duas semanas (tempo médio até então confirmado para presença do zika no esperma) é baixa. O impacto do ponto de vista epidemiológico é pequeno.”

O infectologista Demétrius Montenegro explica que a preocupação com esse tipo de transmissão deve ser intensa em países cuja circulação do mosquito vetor não existe. “O zika está em evidência, mas a preocupação com a prevenção – com a proximidade do carnaval – deve ser na verdade com o HIV, hepatite B e outras doenças”.