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Zika: além do sêmen, saliva e xixi

Em pleno Carnaval, período em que beijo e xixi na rua acabam sendo comuns, a Fiocruz deu um alerta: há risco de transmissão do zika pela saliva e urina. Uma análise realizada em material coletado de dois pacientes com sintomas do vírus deu positivo para a presença do vírus ativo nos dois fluidos. Até então, a literatura médica apontava a presença de partículas virais, mas não se sabia se elas estariam ativas ou não. O anúncio sobre essas formas de contágio foi feito ontem. Mas, no início da semana, o governo norte-americano confirmou um caso de transmissão do zika por relação sexual – pelo sêmen – no condado de Dallas, Estado do Texas.

“Já se sabia que o vírus poderia estar presente tanto em urina quanto em saliva. Mas, o encontramos ativo. Ou seja, com potencial de provocar a infecção. Isso abre novos paradigmas para o entendimento das rotas de transmissão”, afirmou Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e responsável pela pesquisa. Para atestar essa replicação viral, as amostras de urina e saliva dos dois pacientes foram colocadas em contato com células Vero, que são sadias em estudos sobre atividade viral.

Foram observadas a destruição ou danificação das células após exposição ao material dos pacientes, que comprova a atividade viral. Os exames deram negativo para dengue e chikungunya. O zika foi atestado pelo exame de biologia molecular PCR) e também pelo sequenciamento parcial do genoma do vírus.

PREVENÇÃO

O presidente da Fiocruz Rio, Paulo Gadelha, destacou que deve haver uma mudança de patamar no quesito prevenção. “O fato de ter um vírus ativo e com capacidade de infecção não é comprovação ainda, mas há a possibilidade”, destacou, complementando que os achados podem se estender para outros fluidos corporais, a exemplo do sangue, sêmen e leite materno. Gadelha reforçou que o momento é de alerta.

Principalmente para as grávidas. Por isso elas devem evitar locais de grande aglomeração de pessoas e ter cuidados adicionais no compartilhamento de utensílios domésticos, como copos, talheres e pratos. Contudo, o presidente da instituição reforçou que o foco no combate ao mosquito Aedes aegypti não pode sair de cena, visto que o vetor é o mais popular transmissor da doença.

CELERIDADE

A multiplicidade de outras formas de transmissão do zika pode explicar o fato de o vírus ter alcançado dimensão mundial em um ano. A infectologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), Regina Coeli, concorda que outras formas de transmissão podem estar contribuindo para espalhar o zika. Mas é preciso calma na avaliação dessas pesquisas. “Tem alguma coisa pelo meio, mas até a gente saber o que é de verdade é interessante alertar mesmo”, comentou.

A médica destacou que o grau de vírus na saliva e na urina podem ser baixos e não necessariamente contaminar outras pessoas. “Eles podem não ser a forma principal de transmissão”, disse. Segundo ela, é preciso saber o percentual do vírus nos fluídos e estabelecer uma relação entre ele e o hospedeiro (pessoa doente). Ou seja, saber se todo mundo que tem o vírus apresenta a replicação dele na urina e saliva. Regina exemplificou que o HIV já foi encontrado na saliva. Mas esse vírus não é transmitido pelo beijo.