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Igrejas divididas em caso de aborto

MICROCEFALIA Católica é contra interrupção, Anglicana quer debater a questão com urgência e setores da Batista acham que a mulher, nessa situação, deveria decidir

BRASÍLIA – O aborto em casos de microcefalia não é uma questão consensual entre as igrejas cristãs no País. Enquanto a Igreja Católica é contra a possibilidade de interromper a gravidez, a Episcopal Anglicana do Brasil ainda não tem posição formada e setores da Batista acham que a mulher deve ter direito ao aborto nesses casos.

Após encontro com a presidente Dilma Rousseff, no entanto, líderes religiosos defenderam que é preciso debater com a sociedade a descriminalização do aborto em meio à epidemia de zika. Segundo integrantes do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic), o assunto não foi tratado na reunião com a presidente e ainda não há consenso. “Precisamos, sim, com urgência tratar da questão”, disse dom Flávio Irala, presidente do Conic e bispo da Igreja Anglicana, durante a cerimônia inicial da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), que discute o saneamento.

O tema foi destacado como oportuno pelas autoridades, já que a falta de saneamento está ligada a uma maior incidência de doenças – entre elas o zika, que, segundo o governo, tem causado um surto de microcefalia em bebês (3.670 casos suspeitos estão sendo investigados). O vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti encontra em águas paradas as condições ideais para se proliferar.

Enquanto grupos se organizam para levar a questão do aborto de bebês com microcefalia ao Supremo Tribunal Federal, esperando uma decisão histórica como a de 2012, que tornou possível que mulheres interrompessem as gestações de fetos anencéfalos, nem todas as vertentes cristãs compartilham do posicionamento da CNBB, que foi categórica ao afirmar que a prática é “um total desrespeito ao dom da vida”.

O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, d. Leonardo Steiner, por exemplo, afirmou que “o aborto favorece a eugenia, uma prática para selecionar pessoas perfeitas” e ?estão (os grupos pró-legalização) aproveitando a epidemia de zika para reintroduzir o assunto”. Para Joel Zeferino, pastor da Igreja Batista Nazareth, “não dá para ignorar o assunto”. “E é preciso empoderar as mulheres nessa discussão.” Durante o encontro no Palácio do Planalto, Dilma pediu ajuda das igrejas de todo o País no combate ao Aedes. Já o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, afirmou que o Brasil “infelizmente está aquém” do ideal no quesito saneamento básico.

Na sexta-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que os países atingidos pelo zika permitam o acesso de mulheres à contracepção e ao aborto.