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Brasil e EUA em busca da vacina

Países firmam convênio para desenvolver dose contra o zika, que deverá ficar pronta em até três anos, segundo ministro

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou ontem a assinatura do primeiro acordo internacional para o desenvolvimento de uma vacina contra zika. A parceria foi feita entre a Universidade do Texas e o Instituto Evandro Chagas, no Pará. De acordo com Castro, a estimativa é que o produto esteja concluído em até dois anos. Terminado esse prazo, teriam início os testes. “Podemos ter a vacina em até três anos no total. Pesquisadores estão otimistas”, disse o ministro.

O pesquisador Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas, informou que o imunizante será feito a partir de trechos do vírus responsáveis por desencadear a resposta imune. Esses fragmentos seriam inseridos em uma espécie de cápsula formada também com material do vírus, mas que não teria risco de provocar a infecção no paciente.

“O Brasil ficará encarregado de fazer o sequenciamento do vírus e testes em animais”, contou Vasconcelos. O pesquisador afirmou que o sequenciamento do vírus realizado no Instituto já está na sua fase final. O governo brasileiro deverá investir US$ 1,9 bilhão nos próximos cinco anos.

Outras duas frentes de pesquisa para desenvolvimento de vacinas estão em negociação. Uma delas é uma parceria entre os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos e o Instituto Butantan. Há ainda possibilidade do desenvolvimento de imunizante numa parceria entre Biomanguinhos e um laboratório farmacêutico.

Castro voltou a afirmar que não faltarão recursos para desenvolvimento da vacina. “Dinheiro não é o problema”, disse. De acordo com ele, a fase inicial das pesquisas não demanda grande aporte de recursos. Investimentos mais significativos serão necessários, avisou, no período dos testes para se avaliar a eficácia e segurança da vacina.

Além dos acordos de cooperação, o ministro citou duas missões de analistas internacionais e de um convite feito à diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margareth Chan, para uma visita ao Brasil como exemplo de que o País estaria aberto a colaborações com a comunidade científica.

Os entendimentos, disse, estariam sendo feitos tanto para decifrar as dúvidas que ainda envolvem a forma de atuação do zika quanto para desenvolvimento de instrumentos que possam evitar o avanço da doença no país e nas Américas. “A doença se transformou numa ameaça internacional”, completou. A visita da diretora vai ocorrer entre os dias 23 e 24 deste mês. “Estamos bastante abertos”, completou. De acordo com ele, essa característica teria motivado críticas no cenário internacional.

Embora tenha repetido a frase de que não faltam recursos para ações de combate ao Aedes e para pesquisas, o ministro confirmou a informação, dada pelo O Globo de que os estados do Rio e de São Paulo teriam enfrentado demora na entrega de kits de diagnóstico para dengue. De acordo com Castro, houve problema na aquisição de testes, mas isso já foi solucionado. “Os kits estão sendo distribuídos em todo o país”, completou.