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Pastoral contra uso de larvicida

Questionamento é sobre a eficácia do produto químico na água e o fato de vir a ser consumido pela população de baixa renda

Diante da discussão que envolve o uso de larvicidas químicos no combate ao mosquito Aedes aegypti, a Pastoral da Saúde Nordeste 2 se posicionou contra o uso do produto Pyriproxifen. O pronunciamento foi feito após debates com lideranças católicas, representantes da sociedade civil e integrantes do Conselho Estadual de Saúde de Pernambuco. Para chamar atenção da população, o grupo mobilizará entidades da sociedade civil, no dia 22, para definir ações junto com a sociedade para que o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS) deixem de usar larvicidas químicos em água de beber. Os ministérios públicos Estadual, Federal e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também serão convidados a participar do ato, que acontecerá na Faculdade Fafire, na Avenida Conde da Boa Vista, às 19h.

Apesar do posicionamento, a Pastoral da Saúde ressalta que não está associando o larvicida Pyriproxifen com os casos de microcefalia. “A decisão contrária ao larvicida químico toma como base a ineficácia da estratégia e o fato de ser um veneno colocado na água que pode ser consumida pela população. Isso acontece com as pessoas mais pobres em várias cidades do Nordeste. Queremos que sejam apresentados estudos que mostrem que o larvicida químico não causa mal à população”, destacou o coordenador da Postaral da Saúde Nordeste 2, Vandson Holanda. Ainda segundo a Pastoral, foi solicitado que o Ministério da Saúde e a OMS disponibilizem informações das pesquisas, empresas envolvidas e estudos em seres humanos sobre a toxicidade do Pyriproxifen e de qualquer outro larvicida químico.

A assessoria de imprensa da Sumitomo Chemical, fabricante do pesticida Pyriproxifen, esclarece que não há nenhuma base científica em tal afirmação. O fabricante enviou nota esclarecendo que o produto tem aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em campanhas de saúde pública, como “inseticida-larvicida, controlando vetores de doenças, dentre os quais mosquitos Aedes aegypti, Culex quinquefasciatus e mosca doméstica”.

Já o Ministério da Saúde esclarece que não existe nenhum estudo epidemiológico que comprove a associação do uso de Pyriproxifen e a microcefalia. O ministério somente utiliza larvicidas recomendados pela OMS. Os produtos passam por um rigoroso processo de avaliação da World Health Organization Pesticed Evaluation Scheme (WHOPES). O Pyriproxifen está entre os produtos aprovados por esse comitê e também possui certificação pela Anvisa, que avalia a segurança do larvicida no Brasil.

“Ao contrário da relação entre o vírus zika e a microcefalia, que já teve sua confirmação atestada em exames que apontaram a presença do vírus em amostras de sangue, tecidos e no líquido amniótico, a associação entre o uso de Pyriproxifen e a microcefalia não possui nenhum embasamento científico. É importante destacar que algumas localidades que não utilizam o Pyriproxifen também tiveram casos de microcefalia notificados”, diz nota do MS.