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Síndrome vai exigir exames mais precisos

As malformações associadas à Síndrome Congênita do zika devem promover mudanças na rotina de exames os bebês ao nascer, a chamada puericultura. Há também a expectativa de que haja modificações na condução do pré-natal de gestantes a “Era Zika”.

Isso passaria por m reaparelhamento de hospitais, treinamento de profissionais e incremento de testes diagnósticos que não são comuns hoje.

Entre eles, a ultrassonografia transfontanela, exame de imagem que verifica a cabeça do bebê. A neurocirurgiã e pesquisadora do grupo de cientistas paraibano que investiga as consequências do zika no feto, Alba Batista, acredita isso.

Principalmente, porque anos importantes no cérebro o bebê, como a ventriculomegalia, que é o acúmulo de líquido na cabeça no lugar o tecido neural morto, pode mascarar diagnósticos de microcefalia.

“É preciso acrescentar esse exame. É necessário ficar muito mais cuidadoso para detectar alterações precocemente. Mas, para isso é necessário usar equipamentos e ponta. Há aparelhos que são conseguem determinar odos os tipos de alterações. s serviços têm que ser qualificados do ponto de vista de equipamento para que o profissional dê o relatório de forma segura”, disse Alba Batista.

Hoje um dos maiores desafios é identificar por imagem s danos causados pelo zika o feto, desde a microcefalia, lesões no fígado, rins, ossos, articulações e músculos. A neurocirurgiã exemplificou que há ocorrência de crianças que não tiveram diagnóstico intraútero de microcefalia, nasceram com o perímetro cefálico (PC) entre 34 e 37 cm. Mas, semanas depois foram verificadas com ventriculomegalia.

Essa alteração faz com que os ventrículos cerebrais, estruturas que produzem o líquido da cabeça, cresçam e abriguem muito fluido para compensar a ausência de tecido neural maquiando o quadro.

Isso é grave, mas ode passar despercebido. “O bom diagnóstico evita a subnotificação”, alertou. É justamente por isso que pesquisadora paraibana defende a inclusão da ultrassonografia transfontanela a rotina do pós-parto.

Hoje esse exame é feito apenas por indicações médica quando há suspeita de problemas no desenvolvimento da criança. “Essa ultrassom de base vai afastar de vez qualquer dúvida. Provavelmente o protocolo do Ministério da Saúde vai incluir isso”, avaliou.

Para a presidente da Associação dos Ginecologistas e Obstetras de Pernambuco (Sogope), Luiza Menezes, a indicação da transfontanela na rotina de partos nesse momento é complicada, pois seria necessário equipar os hospitais com o equipamento e aumentar recursos humanos.

“Precisaríamos de 500 médicos ultrassonografistas para atender à demanda de nascimentos. Isso também retardaria muito as altas hospitalares. E nós já estamos assoberbados de leitos tanto no privado quando no público. Já vivemos um abarrotamento das maternidades. E não faz sentido. A hidrocefalia na microcefalia é um achado raríssimo”, justificou.

O QUE É FEITO HOJE

Atualmente, a rotina do pós-parto inclui exames físicos no bebê que, entre outros, observa: estatura, peso, reflexos, sucção, verificação dos genitais e medição do perímetro cefálico.

Há também a classificação sanguínea. Contudo, um parto habitual não exige qualquer exame de imagem no recém nascido. Nos casos de suspeita de microcefalia ao nascer, o SUS tem adotado a realização de uma tomografia, teste mais complexo e que expõe o bebê a níveis maiores de radiação.

Planos de saúde cobrem o exame de ultrassonografia proposto pela pesquisadora. Na rede particular o preço varia entre R$ 150 a R$ 400. Até o fechamento desta edição, o Ministério da Saúde não respondeu sobre a viabilidade de mudar a rotina do pré-natal e da puericultura.

Bebês têm choro insistente

Além das incertezas em relação à saúde dos filhos, as mães de bebês notificados com microcefalia têm observado choro insistente nos pequenos.

Um quadro semelhante às cólicas que alguns recém-nascidos costumam ter, mas ainda mais grave por não ocorrer em determinadas horas nem estar relacionados à alimentação: eles choram insistentemente. “Ele é muito estressado. Chora muito. Grita. A gente fica sem saber o que ele tem”, lamentou a mãe do pequeno Alexandre Gabriel, de um mês, Alessandra de Souza, 34.

Ela teve sintomas de zika aos três meses de gestação. Em sua casa, todos tiveram a mesma virose. O diagnóstico da microcefalia foi feito ainda intraútero. “A microcefalia traz uma dúvida nova a cada dia para a gente”, disse Alessandra.

Seu bebê faz parte do grupo dos 25 que é acompanhado pelas pesquisadoras paraibanas no Hospital Municipal Pedro I, em Campina Grande, cidade a 132 km de João Pessoa, Capital. A irritação relatada por algumas mães de bebês microcéfalos é o que os médicos chamam de hipertonia muscular.

“São manifestações neurológicas do comprometimento motor. Um enrijecimento muscular, que pode ser suavizado com tratamento fisioterapêutico”, explicou a neurocirurgiã Alba Batista. No Hospital Pedro I, todos os esforços são para estimular o mais precocemente o bebê na tentativa de melhorar as condições motoras dele futuramente.

“Quanto mais estímulo, melhor será o prognóstico. Mais fácil será para ele sentar, virar, falar”, adianta a fisioterapeuta Jeime Leal, que integra o grupo formado por três pesquisadoras e outros 15 profissionais de saúde que acompanha 25 bebês microcéfalos. Anthony Gabriel, um mês, filho de Maria Germana, 22, está nesse grupo de estudo. “Soube que havia algo errado dois dias antes do parto. Ainda nem acredito.”